quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O PAN-HISPANISMO (António Sardinha)

O grande clássico de António Sardinha... tão actual... tão necessário.
O PAN-HISPANISMO António Sardinha É a 12 de Outubro que passa a comemoração da descoberta da América pelas caravelas de Colombo. Já a Espanha consagrou este dia como o “dia da Raça” – como o dia da festa da sua civilização. Evidentemente que “raça” não toma aqui nenhum restrito significado étnico. Enche-se antes de um amplo sentido cultural e histórico em que Portugal e o Brasil cabem perfeitamente, sem ofensa aos seus velhos pergaminhos nacionalistas. Na verdade desde que a Espanha solenizando o 12 de Outubro, procura restaurar a antiga lareira espiritual em que se aqueceram e tomaram o ser os semeadores de tantos povos de além do Atlântico e que do outro lado do mar a grande madre ibérica encontra eco prolongado e caloroso, eu pergunto porque motivo, brasileiros e portugueses não hão de corresponder ao mesmo sentimento, incorporando-se na caravana de que de dia para dia vai engrossando? Um equívoco secular que hoje já mal resiste ao exame da inteligência, vincou um longo e doloroso divórcio entre as duas prestigiosas pátrias da Península. No entanto se escutarmos bem as vozes profundas da nossa tradição, logo veremos que as lutas de Portugal com Castela são lutas de família, que em família sempre se resolveram. Filha de portuguesa e como tal descendente do Mestre de Avis e do Santo Condestabre, Isabel-a-Católica venceu em Toro o seu primo Afonso V, que, por sua vez descendia de D. Juan I, - o monarca derrotado em Aljubarrota. Eis uma circunstância que vale como um símbolo, porque parece ditar-nos a regra de conduta em que Portugal precisa de inspirar o conceito das suas relações com Espanha. Houve –e ninguém o contesta – parêntesis de luto e sangue a cavarem separações que não deveriam deixar mais vestígios que os de uma proveitosa experiência. Mas, por sobre eles, dominadora como as verdades que por si próprias se impõem, resplandece a unidade moral duma civilização que, tendo na Península o seu berço original, é obra comum de espanhóis e portugueses. O engano foi supor-se que essa “unidade moral” exigia uma “consequente unidade política”, quando desde as indicações de geografia às indicações de história, naturalmente a Península se mostrava conformada à existência de dois estados – um, Portugal, aberto às influências do mar, o outro Castela, como estado mais territorial que marítimo, reservado, por conseguinte, para a conquista da hegemonia continental. De resto é o que sucede na época de mais fastígio para ambas as nacionalidades, com Carlos V e Filipe II dum lado, dispondo quase da sorte da Europa e com D. Manuel I e D. João III no pequeno canto lusitano fundando com poder naval aquele admirável império de que Os Lusíadas são a ressonância eterna. “Durante esse período, que é o de maior prosperidade e grandeza dos povos peninsulares, - escreve o malogrado Moniz Barreto -, a consciência da força própria suprime desconfiança e temores, e a identidade de aspirações e sentimentos cimenta as bases de uma aliança em que compartilhamos com a Espanha a hegemonia no Mediterrâneo ocidental e nos dois Oceanos”. Mas a lembrança de tão glorioso paralelismo não conseguiu evitar que espanhóis e portugueses viessem a conhecer a decadência e o esquecimento, quando tiveram verdadeiramente nas suas mãos os destinos do mundo inteiro. Ora inventariarei aqui o longo rosário de desgraças e humilhações que, tanto para portugueses como espanhóis, tem representado o seu criminoso desentendimento. Mutilada, dividida, a história da Península tornou-se como o lenço de Verónica, a sangrenta efígie da nossa alma – aplicando uma imagem inolvidável de Moniz Barreto – E, todavia, pela sua posição excepcional, senhora do estreito que devia ser o terraço lançado sobre as águas do Atlântico ao encontro da América, que missão não assinalou Deus à Península, se nós a quiséssemos e soubéssemos cumprir! Pois a hora presente é-nos, como nunca propícia! “ Na opinião geral – escrevia há já bastantes anos o general Rodrigues de Quijano -, só Espanha e Portugal pelos seus precedentes e índole especial de raça, podem chegar a ser o verdadeiro laço de união entre a Europa, a América e a África…”. Em sucintas palavras se condensa todo o futuro das duas partias peninsulares, se olhando para a frente com coragem e iniciativa, nos resolvermos a executar tão belo programa de acção, para o qual, antes de tudo se estabelece como primeiro passo, a necessária aproximação de Portugal e Espanha. Assim o desacreditado iberismo, de evidente marca maçónica e revolucionária, será vencido pelo peninsularismo cujas raízes na geografia e na história, exigem logo de entrada, como condição prévia, que a tolerância política e económica dos dois estados da Península seja integralmente respeitada. Mas o peninsularismo não é senão a jornada inicial! Na margem oposta do Oceano – do Oceano que tornámos algum dia como mare nostrum, num perfeito lago familiar -, outras pátrias existem que falam a nossa língua e não ficam insensíveis ao nosso apelo. O pan-hispanismo nos surge daqui, como conclusão lógica, constituído por dois elementos estruturais: o espanholismo e o lusitanismo, “voz clamorosa de la sangre contra el pan-americanismo” - foi como definiu o pan-hispanismo no ano passado, por ocasião da Festa da Raça, no seu famoso discurso no Teatro Real de Madrid, o conde de la Montera, D. Gabriel Maura Camajo, acrescentando em seguida que ”los pueblos que se agrupen en organizaciones más amplias que la sociedad nacional, ssucumbirán bajo el imperialismo.” Suponho suficientemente enunciadas as razões que nos levam a nós, os portugueses, a não permanecer indiferentes perante o significado actualíssimo do pan-hispanismo. Prefaciando o estudo recente de Marius André sobre colonização espanhola na América, o próprio Charles Maurras acaba de reconhecer sem vacilações a sua extraordinária importância. E o Brasil, que não se esqueceu por certo dos avisos de Eduardo Prado no seu livro A Ilusão Americana, não vai abdicar das suas justas ambições de poderio e desenvolvimento, que só na liga das nacionalidades hispânicas acharão garantia sólida e perfeita. Lancemo-nos por isso à vanguarda d’uma civilização que é a nossa e que hoje diríamos sonâmbula, como que vivendo nas formas mumificadas do tempo que já não volta. O que é essencialíssimo é que os povos, de derivação peninsular, readquiram a consciência da sua finalidade superior e que o exemplo parta da Península – sua casa paterna e solar venerando. E por muito que o problema se nos afigure emaranhado e difícil, é em cada um de nós que a sus a solução reside. “Las naciones de orígen hispánico – observa novamente o conde de la Montera -, se decidirán tal vez muy pronto a buscar en la unión efusiva e fraternal com las demás hijas de la madre común, la fuerza misma que las otras les ofrecen, mediante artificiosas combinaciones diplomáticas o económicas. Prepare-se Portugal, pela sua parte, reorganizando-se como nação forte e estreitando cada vez mais os vínculos de amizade com a Espanha, nossa irmã, e com o Brasil, nosso filho primogénito. E como numa Primavera nunca vista, a flor do internacionalismo hispânico abrirá as suas pétalas de maravilha, ressuscitando a manhã longínqua em que a América se revelou em toda a sua magnífica adolescência, aos pilotos de Cristóvão Colombo e à marujada de Pedro Álvares Cabral! António Sardinha in Revista Contemporânea n.º 2

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

EL ISLAM ANTE LO HISPANO (Fray Trabucaire)

Do Irmão de Lá, mais um precioso texto
Ante las sanas conversaciones y los dulces aprendizajes con Cruz y Fierro y el Maestro Gelimer, esto que sale:
Desde hace tiempo, vengo dándole vueltas a la cuestión islámica en nuestra patria.
Siempre me hice preguntas generales como,
¿ Por qué la Reconquista duró tanto tiempo ?
¿ Por qué los moros invaden nuestra península en tan poco tiempo ?
¿ Por qué ese " arraigo " del islam en esta tierra y por qué tanto tiempo ?
Son preguntas que igual tienen su esbozo de respuesta. He bicheado algo y de nuevo el librejo ese de Los árabes jamás invadieron España, de Ignacio Olagüe, un tipo que tiene pinta de tener menos tornillos que un globo. El Olagüe en cuestión no me parece serio en líneas generales. Quiero decir: En resumidas cuentas, la obra en cuestión no es una herramienta historiográfica viable para tratar en sí el problema. Pero lo que me fastidia y me duele es que Olagüe gasta alguna semilla de verdad, por minúscula que sea.
Veamos el orden de nuestras preguntas:
La primera cuestión que nos planteamos tiene su " posibilismo ": La Reconquista, claro está, fue una historia muy compleja. No obstante, se habría adelantado igual si algunos monarcas cristianos hubieran pensado más en la Unión Cristiana y menos en negocios; y aparte, si tantos hispanos no se hubieran convertido al islam. El islam que se dio en España fue de todo menos monolítico, como ahora nos quieren hacer ver los neomusulmanes españoles venidos del comunismo. ¿ Cómo el islam logró fructificar ? Olagüe hace referencia a unos temas que me parecen importantes, como son el " factor beréber " y el " factor arriano ".
* " Factor beréber ": Los hispanos estaban acostumbrados a convivir con los bereberes. Recordemos que ya en tiempos de Marco Aurelio se produjeron incursiones de los mauri en la Península Ibérica, y que a los años, buena parte de la franja norteafricana fue incorporada a territorio político hispano por los propios romanos. Los vínculos culturales entre bereberes e iberos ( Así como con etruscos ), si bien han sido magnificados cuando no deformados y muchas veces nos basamos en conjeturas, son " más o menos evidentes ". A esto hemos de añadir los vínculos que seguirán con el Cristianismo; no en vano figuras como Cipriano de Cartago lo atestiguan. Nuestros amigos de Libro de Horas y Hora de Libros (¡) han escrito sobre el tema; y ahí tenemos a figuras como San Agustín de Hipona o que hubo tres Papas moros. Queremos decir: El ibero y el beréber no se eran extraños por esta serie de vínculos pre y post - romanos. No siempre fueron relaciones amistosas y tolerantes, como por ejemplo la citada incursión en época de Marco Aurelio. Esto de la " tolerancia " en la Historia es algo muy moderno. Pero bueno, las hubo, de distintas maneras. Relaciones que por cierto, se rompieron con el islam. Están contando la historia al revés. Y aquí entra la mixtificación romanticona realizada por extranjeros decimonónicos que sólo " conocieron " a Andalucía y el resto de España por temas harto superficiales; todo ello celebró su colofón en la cretinidad integral de Blas Infante y su nacionalismo. Las relaciones con el actual Magreb fueron mucho más claras y fructíferas en épocas anteriores a Al Andalus; cosa que temen los políticamente correctísimos, porque automáticamente se le desmonta el subvencionadito tinglado.
* " Factor arriano ": El llorado Padre Castellani definió al mahometismo como " bárbara simplificación ". ¿ Qué es, si no, el arrianismo dentro de la Religión Cristiana ? El " islam hispano " fue de todo menos " ortodoxo ". De hecho, las sucesivas invasiones kabileñas, ya almorávides, ya almohades, etc.; fueron contra su " heterodoxia ". Entre otras cosas, los andalusíes nunca dejaron de cultivar la vid ni de beber su fermentadito zumo, ni de aprovechar muchas costumbres y recursos de la Hispania Romano-Gótica. Ello no quiere decir que, por ejemplo, los almohades no introdujeran novedades importantes en el arte ( Otro ejemplo para el presentismo mentecato: Se puede ser poco tolerante en temas religiosos pero no por ello se renuncia a una cultura poderosa. Hoy ya vemos lo que pasa con la tan ladrada tolerancia, que tampoco es tal ). Todavía nos sigue maravillando la Giralda, ¿ pero, por qué se ignora que la Giralda se hizo con piedras de Itálica ? ¿ Por qué se ignora que la mezquita de Sevilla fue hecha sobre la iglesia antigua, como ocurrió en Córdoba y en tantos otros lugares hispánicos ? Añadiendo estos factores de " aculturación ", volvemos al " factor arriano " en sí: Olagüe deja entrever que en España quedaron los rescoldos de un vivo resentimiento tras la Unidad Católica, y que realmente, la herejía arriana nunca dejó de influenciar en según qué comunidades. ¿ Serían, éstos, los godos que tan pronto se convirtieron al islam en clanes enteros ? No estamos más que ante una conjetura, pero una conjetura que no deja de ser interesante. Este factor de las herejías " unitarias " podría contar en Egipto y en otras comunidades cristianas orientales que sucumbieron ante las huestes de Mahoma. Porque el islam no se presentó como enemigo de Cristo y de María a priori; sino que incidió más ( Ello lo sabemos en Hispania, que provocó otra herejía ) contra los que ellos llamaban " asociadores ", esto es, los que defendemos la Santísima Trinidad. Tienen muy buenas palabras para Jesucristo, en ese sentido, no son ofensivos en primera instancia, como sí lo pueden ser los judíos. Para ellos Jesús no fue un blasfemo; fue un profeta más, el profeta más grande antes que Mahoma, que es la última revelación. Esto es falso, claro está. Ello, aliñado por su rabiosa e irracional iconoclastia, podría explicar esa explosión que afectó a ciertas zonas ya dañadas en lo teológico; y que se pudo dar también aquí. En ese sentido, el islam clavó una puntilla importante, que de hecho, volcó el signo de la Historia y acabó con nuestro " Mundo Antiguo ", identificado por Roma; una Roma ya más que dividida, claro está.
Y es que a ello podríamos añadirle hasta la sugestión que ya provocaban en paganos tiempos las " corrientes religiosas orientales " en variados puntos del Occidente Romano: Véase el mithraísmo iraní o los distintos cultos asimilados del Egipto. Aunque esto sería ya otra onda. Pero de esas fuentes antiguas también supo beber el islam.
Ante preguntas " ¿ cómo es que tan pocos...? "; bueno, nos podemos contestar nosotros solitos. Con eso de " tan pocos ", no nos explicamos la batalla de Cajamarca en particular ni la conquista de América en general. Está claro que para que una vasta conquista triunfe con tan pocos, y se produzca esa " asimilación ", por más voluntades que el conquistador tenga o imponga, siempre suele haber una crisis de por medio. Y esta crisis existía en la Hispania Visigoda. Que quede claro: En el Nuevo Mundo existían crisis pero no fue igual, como tampoco la Conquista Hispano-Católica fue igual a la expansión mahometana. El caso es que Hispania, dividida por sus propios gerifaltes, asqueada de tanto mal gobierno, presa de costumbres tan poco sanas como el mariconaje o el infanticidio ( Algo que deja entrever Antonio Domínguez Ortiz en su vasta obra ); el islam ofrece una " facilidad de conversión " medio atractiva: Por un lado, para ser muslímico, sólo hace falta profesar la shahada delante de testigos; por otro lado, la traición de no pocos cristianos, ayudando a crear ese " sincretismo musulmán " que cita Olagüe ( O " islamismo mixturado ", en palabras del misteriosete y polifacético Daniel Estulin ) en connivencia con los invasores, dará saludables frutos al " islamismo expansivo " en el celtíbero solar; traído en primera instancia por bereberes recién islamizados, volvemos a apuntar. El islam ofrece al hombre la poligamia, no tiene un clero realmente organizado y da mucho protagonismo a muchos tontos, y sí una disciplina militar muy férrea. Son factores a tener en cuenta en el contexto que manejamos. Disciplina férrea que en un principio presentóse zalamera y luego inhumana; no entendemos los " quejíos " de esos neomusulmanes postcomunistas, cuando los califas no tuvieron afán de tolerar a los cristianos hispanogodos, ni tampoco realmente a las minorías judías -- Minorías que los apoyaron con entusiasmo, que no se olvide --. El " zalamerismo islámico " es medio comprensible para quien haya tratado con musulmanes: El islámico nunca se presenta a priori como " radical "; otra cosa es cuando uno lo conoce con más confianza y se da cuenta de lo que hay. No olvidemos que Al-Qur´an permite la mentira para con los infieles, y más con los dhimníes si cabe.
Por otra parte, el árabe se fue descubriendo como una lengua culta y " recolectora ", con un gran alcance; y no pocos sabios/filósofos occidentales comenzaron a estudiarla con detenimiento. Si bien el árabe tardó unos cuantos años en cuajar aquí como " lengua madre " e incluso tuvo sus " fragmentos ", como ha pasado en el Magreb. Pero su influjo fue potente. Además, como el árabe, según la ley coránica, ha sido el vehículo de la última y definitiva revelación, su aprendizaje, uso y cotidianidad fue madurando a través de la umma. Para ellos sigue siendo una suerte de " cuestión religiosa ", que no llevan demasiado bien en Indonesia, Irán o Turquía. No obstante, los moros suelen repetir que el musulmán tiene que saber árabe, porque si no, no conoce bien el Corán, y siempre será un musulmán " cojo ". Si pensamos que estamos en un momento de cultivo lingüístico importantísimo y que los nuevos islámicos son entusiastas en su religión, aunque ésta no esté demasiado unida, comprenderemos, pues, esta difusión, este desarrollo.
El islam jugó muy bien sus bazas en Hispania, en una situación decadente y confusa, y se encontró encima terreno allanado por no pocos traidores. Entiendo que reconocer esto nos duele, pero más o menos es así. Otra cosa son los mitos modernos de la progresía caviar, con los que en absoluto concordamos. Pero sí nos parece de subrayar que el islam jugara con las herejías " unitarias " para su lenta y honda penetración. Y que incluso tomara elementos del paganismo que todavía pululaban por la Vieja Iberia. Nuestra depuración espiritual vino en la lucha contra un enemigo poderoso en cuanto a su astucia, entre otras. Y en cuanto a su " lógica permanencia ". Así se explican muchos factores de la Gloriosa Reconquista. Gloriosa Reconquista que vino por esa " recuperación espiritual " en la lucha inmediata y constante; que fue la confirmación de la Unidad Católica que Recaredo asentó en el Trono y San Isidoro en el Altar, por la Gracia de Dios Nuestro Señor.
Por otra parte, estos " factores étnicos " no eran tan desconocidos en Hispania. Repetimos que en la Hispania Goda siguieron los contactos cristianos entre iberoceltas y berberiscos, así como hubo arribada de sirios y griegos ( Algunos bizantinos entrarían aquí como cónsules y mercenarios en Al Andalus ). No tenemos cifras exactas y tampoco importan demasiado. Tampoco nos extrañe que haya algún apellido maronita libanés que tenga raíz española. Era la koiné romana, no totalmente uniforme, pero sí con un núcleo compacto, que cristalizó en la Cristianización. Algo que a mi juicio explicó muy bien Fray Justo Pérez de Urbel en su genial biografía de San Isidoro de Sevilla.Hay una cosa que me hace pensar siguiendo todo esto: ¿ Por qué hubo bastantes nobles y hasta reyes hispanos que se casaron con moras ? ¿ Porque todos gustaban de lujos asiáticos ? Creo que no exactamente. Sin duda, la mujer árabe es muy linda, y a nadie le amarga un dulce. Pero no creo que hubiera ese " afán multirracial per se " en tantos reyes. Y no me malinterpreten: No estoy haciendo una interpretación racistoide/"biologista " del asunto; quienes me conocen, saben que eso de la pureza de las razas me importa algo así como un gran huevo. Y que no niego la belleza de la mujer arábiga, al contrario. Veo más que lógica, y más en la época, la atracción. Sin embargo, me da que pensar que tras la expulsión de los moriscos de Granada, muchos cristianos les indicaban a aquéllos moriscos que se quedaron para que se convirtieran: . " Tus abuelos fueron cristianos hasta que alguno en tu familia se convirtió al islam, ¡ vuelve, pues, al Cristianismo ". Por ello, esa " estratificación racial " que había supuesto el Cristianismo en los pueblos hispánicos -- en términos de António Sardinha --, no era racistoide. Incluso en ese caso, el pueblo llano fue más severo que la nobleza. ¿ Por qué los reyes moros tenían guardias cristianas y los reyes cristianos guardias moras, en no pocas ocasiones ? ¿ Por qué esa resistencia de los moriscos para irse a otros países musulmanes ? ¿ Por qué se quedaron aquí algunos ( Menos de lo que la oficialidad pseudohistórica rebuzna, como fue el caso hebraico ) a pesar de la " incomodidad " ? ¿ Por qué llegó a haber moriscos que prefirieron emigrar a Francia o Alemania antes que a la Mauritania o la Numidia ? El mismo Cervantes se planteó eso en su genial Quijote. Creo que es que, sencillamente, los moriscos no podían estar a gusto en los distintos sultanatos magrebíes ni en la península árabe. Porque étnicamente ( Y no en el sentido " racialista " ) estaban demasiado arraigados aquí. Porque hemos asociado al andalusí al negrito del Cola-Cao, y eso no es cierto. Porque para entender la pervivencia del islamismo aquí hay que contar dos factores principales: El beréber y el muladí hispano. Ese " islamismo autóctono " en cierto modo se dio, y se desquició entre sí mismo. Tras romper con los abbasíes, es un omeya el que toma el mando como emir independiente, y serán los propios muslimes los que se peleen entre ellos, en una umma hispana que nunca fue etnoculturalmente solvente: Desde inicios de la conquista, los bereberes van a luchar con todas sus fuerzas ( Con ayuda de muladíes hispanos ) para expulsar a los árabes, conflicto que de, un modo u otro, sigue perviviendo en especial en Marruecos y Argelia. Si bien el bereber y el muladí ibérico eran predominantes, la minoría árabe trajo sus contingentes en especial de la Siria, acaudillados por los temibles samiyyun ( Caballería de élite ). A esto se unió el factor de las guardias eslavonas, esclavos y mercenarios euro-orientales que llegaron a dominar las taifas del Levante; también ante unas minorías negras que nunca supieron realmente de qué bando estaban. El islam en Al Andalus se hizo y se deshizo a sí mismo; y en ocasiones, los reinos cristianos que anhelaban el pasado visigodo no supieron unirse como era debido. Y, curiosamente, muchos moriscos, cuando arribaron de Hispania al que se supone que era su país hermano de religión, la liaron gorda. No sólo se dedicaron a hacer música, sino que muchos fueron a rebelarse y pelearse contra todo lo que se movía. ¿ Será una " actitud étnica " ? ¿ Y la resistencia a irse de los judíos ? Pues tanto las disposiciones de Egica y Sisebuto como la partida séptima de Alfonso X el Sabio hablan del proselitismo que los judíos hacían en los hispanos. Otro tema apasionante ahí....
Por eso, porque si bien el " físico " no nos importa demasiado, sí creemos que hay curiosidades que no se resaltan por mero interés. ¿ Siguen siendo todavía los bereberes más blancos que los árabes ? Depende. Los moros de hoy te suelen responder que sí a vuelapluma, pero ni por asomo es una ciencia exacta, por más que veamos a Zidane o la dulce niña que tanto se parece a la pobre Maddie. Aparte, los bereberes ya traían mezcla con los fenicios, y de hecho, los cristianos norteafricanos se consideraban de cultura cananea. Ni blanco ni negro, sino bastantes grises. Lo que es la Historia.
Si los españoles hemos sido siempre tan malísimos y esta tierra tan retrasada e inhóspita, ¿ cómo se explica que multitud de pueblos se hayan resistido tanto en su seno ? Con muchos indios hispanoamericanos ocurrió igual,; aunque es un caso muy distinto. El indio quería a España por su Religión y por su Rey.
Por todo lo que decimos, es interesante que se redunde en el " tema islámico en Hispania "; mas lo que no tiene por donde cogerlo es lo del " paraíso andalusí ". Ningún cronista de la época, ya fuera Bayyan Mugrib o R. Ximénez de Rada calificaron a la península como un " vergel de tolerancia ". Sí es cierto que a los musulmanes extranjeros les cautivó esta tierra y la cultura que allí había; por eso no es raro que para un árabe en Sevilla, un yemení en el Algarve, un sirio en Córdoba o incluso un " más familiarizado " beréber por la Meseta, Hispania fuera una tierra de promisión, como sigue siendo para ellos hasta nuestros días. Pero nadie serio defendió que Al Andalus/Hispania fuera una alianza de civilizaciones. De esto se ha hecho eco el prolífico y famoso Juan Eslava Galán, que no creo que pueda ser tildado de reaccionario. Como tampoco puede ser tildado de reaccionario Carlos Canales, que ha recogido lo mismo en el programa radiofónico de " La rosa de los vientos ", en Onda Cero. Yo sí que lo soy. Reaccionario, digo. Y con todo y con eso, parte de la historiografía está reaccionando ya ante tanto mito cutre.
¿ Que hubo " interacción " entre culturas ? Pues sí. Pero lo cortés no quita lo valiente. ¿ Que hubo en verdad una sola cultura andalusí, con tres confesiones alrededor ? Esto creemos que es mentira. Una cosa es que se adoptaran/intercambiaran distintos elementos y otra es hablar de " una real y única cultura ".
¿ Por qué muchos califas salían rubiones ? Quizá sea otra " historia ". Recordemos que los moros no eran tontos y lo primero que hacían tras sus razzias era reclamar el botín de las doncellas. Si ya el primer omeya andalusí era rubión, nos encontraremos que Abd Al Rahmán III era colorado de ojos verdes y Boabdil el Chico rubio de ojos azules. Muchas madres de califas fueron cristianas cautivas. Desde la misma Egilona, hija del malogrado Rey D. Rodrigo ( Que en la Lusitania halló sepultura, según dicen ), que engendró a Abd Al Aziz. Pero eso no llegó por la " tolerancia paradisíaca " precisamente. Como también había cristianos que gustaban de cautivas morunas. Pero es curioso el asunto: Se dice que los vikingos, en su razzia ibérica, se quedaron impresionados de la " blancura de los moros de Al Andalus ". Algo así le pareció al viajero germánico J. Münzer en Granada, unos cuantos siglos después. En eso de la blancura se fija hasta una crónica de mi pueblo sobre un esclavo moro que por aquí andaba; como han recogido mis paisanos Alfonso Álvarez-Ossorio y Francisco Rivas en su entrañable, documentada y trabajada obra Una ventana al pasado ( Historia de Bollullos de la Mitación ). Porque, medio lógicamente, el hispano asimiló el apelativo " maurum " a lo musulmán porque vino del Norte Africano; así como los musulmanes asimilaron la península al nombre de los vándalos. Contamos con un trío de hipótesis más o menos principales: De Wándalus Land, del godo Landahalauts ( " Tierras de sorteo " ); y una más " marginal ", del euskera " Landaluzía " ( " Tierra ancha " ), aunque esta última sería más para el nombre de los futuros Reinos Andaluces quizá. Busquen y comparen.
También hemos de tener en cuenta que en España, eso de " ejércitos organizados " está muy bien con el Gran Capitán, pero que antes no era tan así. El ejército que se conocía era el de Roma. Acabado éste, viene el de los godos. Y del de los godos saldrá la traición que ayuda a la morisma. En España sí hubo resistencia ante el islam. Pero no se contaba con ejércitos organizados realmente para el momento. ¿ Que contra Napoleón ocurrió algo parecido y se le derrotó en menos tiempo ? Pues sí, pero como se dice tanto ahora, " eran otros tiempos " y un contexto bien diferente. Y fue esa resistencia guerrillera, acaudillada en las viejas Asturias, la que germinó un ideal que un día vio la luz. ¿ Un aviso para lo que puede tardar nuestra Contrarrevolución....?
Recordemos: Esos ejércitos " autóctonamente organizados " se irán fraguando en la Reconquista y verán su definición con Gonzalo Fernández de Córdoba; y en estos siglos hemos de intentar ver los determinados contextos. Creemos que Olagüe vuelve al yerro en su comparación con Roma; porque si bien con Roma hubo una resistencia feroz, gran parte de la Península se " asimiló ", y en especial las zonas más cultivadas en todos los sentidos, como la Bética. Ante la irrupción del islam no va a ser muy distinto el panorama. Otra cosa es ya ponernos a discutir si hubo más legionarios romanos que soldados berberiscos para la conquista, y luego samiyyun para afianzar; y, comparativamente ( Aun en la lontananza y el paso de los años, y ante periodos distintos ) tampoco establecemos abismales distinciones. Sin embargo, advertimos que Olagüe se hace eco de algo que nos viene a llamar mucho la atención a nosotros en nuestra modestia, así como a no pocos historiadores; y que entendemos que tenga esa " raíz de pregunta ". Pero que puede haber explicación, al menos, para historiar un proceso de conquista. No obstante, en lo que queremos investigar es el por qué de ese " arraigo ", de esa " asimilación expansiva/rápida " que supuso el islamismo aquí aun con sus múltiples caras; y Olagüe no nos ofrece respuestas claras. Porque a veces veo parecido con los romanos y a veces no. Y continúa el " enigma ". Creo que Guadalete no fue sólo una batalla.
Lo cierto es que otro general error constituye el identificar Al Andalus a Andalucía. El error clásico de Blas Infante como rebote de los cuentos de la Alhambra y de la Carmen de Merimée, que, menos de ciencia e historia, tenía de todo. Al Andalus es todo territorio musulmán ibérico. Tan andalusí era Barcelona como Córdoba. Ambas ciudades vieron la evolución de su nombre latino: De Barcino ( Raíz cartaginesa más bien ) a Barsiluna, de Corduba a Qurtuba. Como de Caesar Augusta a Saragusta, de Tarraco a Tarrakuna, y así un largo etcétera. Se fue " asimilando ", en procesos lentos y traumáticos y costosos. Con alguna fundación original. Aunque rápidos. Algo que desconcierta a no pocos historiadores, con razón. Pero si volvemos la vista atrás, el caso romano tiene algún parecido medio razonable. Empero: El término " Andalucía ", término geográfico que después asociará cierta comunidad de caracteres culturales, no se emplea hasta la Reconquista de San Fernando III de León del Valle del Betis. La Batalla de las Navas de Tolosa abrió esta importancia capital. Sevilla, Córdoba y Jaén, con las " marcas " de Algeciras y Gibraltar fueron esos Reynos del Andaluzía; Granada es incluida en el Andaluzía por los liberales del siglo XIX, los mismos que convirtieron a estos Reinos de las Españas en provincias de segunda y en despojos del gran latrocinio mendizabalesco. Tanto " morisquismo " o más hubo en Valencia que en las actuales Sevilla y Huelva; sin embargo, a los andaluces se nos asocia automáticamente como reyes de la morería y no a los levantinos. Por todas estas mixtificaciones que no han sabido ni querido contar medio bien la historia, y porque en muchas ocasiones tampoco se ha sabido responder con mediana congruencia a tanto " tontolaba " suelto.
En fin, yendo un poco más al turrón, exponemos lo siguiente:
- No podemos ni debemos negar, como hacen no pocos " medievalistas " ( El " medievalismo " no fue mi especialidad en la carrera y con todo y con eso me atrevo ) los vínculos más que claros con el Norte de África, desde la Antigüedad hasta las postrimerías " romano-germánicas " y por formas muy variadas: Vías étnicas y culturales, y hasta por vinculaciones militares y espirituales desarrolladas. No es ese el tema, y si vamos por ahí, estamos faltando a la verdad. Lo que tenemos que hacer es defender la historia al derecho, aunque haya cosas que no nos gusten. Porque el principal error de islamistas, islamófilos y " folklóricos " baratos extranjerizantes es que cuentan la Historia totalmente al revés. Cosa que es refutable por toda la Reconquista y del 1492 a la Guerra del Rif. ¿ Que hubo momentos de convivencia en Al Andalus ? Sí, como en los Balcanes haylos. Pero la convivencia real fue bastante anterior, y precisamente quebróse en Al Andalus.
Ya luego, quien quiera obsesionarse con los fenotipos y demás zarandajas ( Ya me entienden ), es su problema. No el mío, al menos.
- Hemos de contar en esa " ideología del resentimiento ", que a lo mejor pudo existir con los focos arrianos, la contemporánea actitud de los neomusulmanes y su connivencia con el socialismo. ¿ Qué es el marxismo si no la envidia y el odio sin explicación lógica, pues no puede tenerla ? Satán los cría y ellos se arrejuntan. Esta " ideología del resentimiento " que ahora quiere darle la nacionalidad española a los moriscos ( Lo de los sefardíes viene de mucho antes incluso ) es la que niega la esclavitud, persecución y asesinato de tantos mozárabes ( Recordemos la etimología: Del árabe " must´arib ", " el que se arabiza "; algo que puede tener un tufo despectivillo si se piensa ) que encontraron su refugio en el Norte, en especial, en el Reino de León, continuidad política del " ideal astur " de Don Pelayo. Esta " ideología del resentimiento ", unida a un brutal complejo de inferioridad, que desde aquel loco embustero como fue Las Casas nos atenaza, es el caldo de cultivo de toda la islamofilia barata. Resentimiento e impotencia además, pues como indica el colombiano Pablo Victoria, no hubo un imperio con más lustre después de Roma que el de las Españas. Ante tanto resentimiento, oponemos lo evidente: Que el Catolicismo Hispánico fue mucho más tolerante con los influjos de época musulmana que lo que cualquier país musulmán lo ha sido con el Catolicismo. Pero a los españoles siempre se nos paga así de bien. Igual es que fallamos en tanto complejito de....
Por cierto: Le recordamos a los neoislamistas de Granada, financiados por los wahhabíes, que la Inquisición sólo tenía jurisdicción sobre los cristianos, no sobre las otras confesiones, y que no tenía de por sí la potestad de condenar a muerte; y que el Tribunal del Santo Oficio en España ha " provocado " menos muertes en cuatro siglos que la Revolución Francesa y por supuesto, que su añorado comunismo. O ya puestos, que sus idealizados países muslímicos. Los emires árabes que los sustentan son un ejemplo serio. Mas el islam ha vuelto a tomar cuerpo en España no por árabes, ni tan siquiera por la Guardia Mora de Franco, sino por muladíes españoles. Porca miseria....
- En la " heterodoxia " estuvo el juego: En aquella época, también había curas que le decían a los mahométicos que " todos creemos en el mismo Dios " y bla, bla, bla. Para la zalamería coránica, es muy propicio. Como lo fue Oppas. El islam se presenta siempre educadito y tolerante, pero cuando tiene la sartén por el mango, no vacila en arrasar. Decimos en la " heterodoxia " estuvo el juego pues en esta maldita época nuestra, ante tanto descreimiento y tanta decadencia tanto el laicado como en la clerecía, y ante las situaciones de mariconismo y aborto, se están dando paralelismos históricos con lo que desembocó en Guadalete muy peligrosos. Hubo incluso no pocos católicos que pensaron que ante la corrupción latente, el islam era una herejía que sería tolerable hasta su conversión, como ocurrió con los visigodos. Se equivocaron totalmente.
- El islam fue habilidoso y corrió muchos " tupidos velos " por así decirlo, asimilando y destruyendo cuando convenía. No nos tiene que avergonzar que haya partes importantes de nuestro paisaje que evoquen la presencia musulmana. Yo me sigo quedando ensimismado en el Alcázar de Sevilla, en mi torre de Cuatrovitas, en el Albaicín granadino o ante los baños del califa de Córdoba. No hay que negar tampoco que el islam tuvo su originalidad aquí, como defiende el historiador marroquí Ahmed Tahiri. Pero ni eso ni decir que el islam descubrió la pólvora. Si bien muchos postres y dulces son " moriscos " ( Y se siguió conservando lo mejor de la habilidosa dieta a través de la cocina conventual. Si uno come los ricos dulces árabes, el paladar irá al recuerdo del turrón, el polvorón o el pestiño ); pero así como el origen de no pocas palabras del castellano viene del árabe, los baños ya se conocían en España. Así como los números, el azúcar o los cítricos fueron traídos por las élites árabes de otros pagos asiáticos. Así como la palmera tiene regusto arábigo-fenicio, el jazmín es persa. Así como hay palabras del árabe que proceden del griego. Hay que decirlo todo, y no cortar por lo sano cuando interesa para fabricar una ideología que anda mutilando bastante la historiografía. No podemos caer en lo que caen muchos " medievalistas ", pero tampoco en la farfolla romanticoide-esteticista moderna que, repito, fue traída por extranjeros que jamás tuvieron conocimientos serios sobre la historia y la idiosincrasia de la Península Ibérica y sus territorios adyacentes. También pasa que, por ejemplo, el castellano tiene curiosas influencias del germánico y del vascuence, y no veo que ello se exalte. ¿ Por qué ? Porque no es bueno para la fiebre ideológica que esclerotiza la realidad. Porque no es bueno decir que en España, aunque en decadencia, había una gran cultura desarrollada a través de los siglos, y porque el ideologismo intenta acomplejar todavía más a España, como diciendo que nada bueno tiene en lo " indígena ". Pues no, no es así.
El falso " folklorismo " ha venido mucho afectando al flamenco, por ejemplo; sobre el cual, si bien se ha avanzado bastante, aun estamos cojos en cuanto a sus estudios. Repetimos: Es inútil negar la evidencia; por eso lo decimos en ambas vertientes.
- Si bien hubo muchos iberos que se convirtieron al islam, también hemos de contar que muchos hispanos se dejaran atraer, o a la fuerza, por elementos culturales orientales, " resumidos " en el islam, que aquí entraron " norteafricanizados ". Algo que era medio común en el contexto romano. Ya que hablamos del flamenco, nadie parece subrayar que los metros de la jarcha coincidan asombrosamente con los de la soleá. La jarcha fue la primera lengua romance hispana, aun " encorsetada " por la influencia árabe e inserta en el zéjel; romance. Por supuesto bebedora de fuentes. Y bueno, los metros de las verdiales y el fandango son los de la jota. ¿ Todo vino de los árabes ? Pues no. ¿ Qué hubo cierta influencia y permaneció ? Pues sí. Hasta en los azulejos y las formas de las tejas de los pueblos, venimos a decir. Pero esta influencia sigue embrollada, mal explicada y peor desarrollada, por propios y extraños.
No es malo que en el folklore hayan quedado y hasta se reivindiquen los múltiples influjos; lo que sí nos parece negativo es que unos se resalten más que otros por interés ideológico. Como no entendemos el por qué no se alude a que el Sur Hispano tuvo zonas plenamente célticas. Y no por " purismos racialistas ", repetimos. Que quede claro: Prefiero a mi lado 1000 veces a un negro católico antes que a 50000 blancos ateos.
- El islam entra en España no por los árabes, sino por los bereberes. Beréber fue la primera incursión en el 710 de Tarik Ben Malluk y la " definitiva " del 711 de Tarik Ben Ziyad, con la solitaria presencia árabe del famoso Muza. Los bereberes hicieron la conquista y los árabes se lo pagaron muy mal. Y era un peligro que estaba de cerca y de hacía tiempo, y, asombrosamente, nadie pareció darse cuenta hasta los hechos consumados. Estos bereberes entran recién islamizados y con ansias victoriosas tras sufrir, durante algo menos de un siglo, numerosas batallas en su tierra natal, que nunca pudieron " reconquistar "; aunque en el siglo VII hubo conatos que hicieron temblar a los árabes. Otro factor también a tener en cuenta: Que la filología poco ha estudiado realmente el influjo lingüístico del tamazight. Si bien algunos se han bajado del borrico, es otro tema apasionante, pues palabras que se creían puras árabes no son tales. También porque, lógicamente, todavía el dialecto árabe marroquí tiene sus tintes imazighen. Pero sí, hay no pocas palabras del árabe que seguimos usando: Alféizar, afeite, acequia, aceituna, azofaizo, limón, almocafre, alcancía, cifra, Guadalquivir, Guadiana, Sevilla, alcázar, almacén; etcétera; aunque también que no pocas andan en desuso. Pero ahí andan. En cambio, " jinete " es de origen beréber. ¿ Cuántas más no habrá ? ¿ Quizá " Bollullos " ? Filólogos: Tienen trabajo. Historiadores: Lo mismo.
- El islam, por variopintos factores que hemos intentado explicar, logra " conectar " con esta tierra, muchas veces a modo contradictorio; como reconocemos que alguna contradicción se puede hallar en este articulillo. Pero, con todo y con eso, los musulmanes nunca se llamaron a sí mismos como " hispanos "( Como los judíos ), o luego como " españoles ". El islam que " conectó " fue Al Andalus, no Hispania y luego España. Fue en esta tierra, pero como otra cosa. Un gran signo de que España es tal por la Cruz, por Santiago y el Pilar. Políticamente, los moriscos jamás aceptaron a la España Natural, por consiguiente, Católica, Apostólica y Romana. Fernando de Córdoba y Valor quiso ser Aben Humeya y Rey de los Moros. Sus tropas fueron derrotadas por Juan de Austria, en cuya hueste iba el Inca Garcilaso. Eso es Historia Vital Hispánica. Por tanto, el morisco mismo fue el que tomó ese imposible sino. El de querer aliarse a piratas magrebíes y turcos pero no querer salir de una tierra que si bien, consideraba suya, era esa " otra cosa " que jamás cuajó totalmente. De sus miserias salieron sus productos.
Y el escaso éxito de las conversiones es el mismo drama en el mundo islámico: Que un musulmán abrace el Cristianismo en particular / se convierta a otra religión en general, le supone la pena de muerte. Esto es algo que arraiga. Todos los intentos evangelizadores en países islamizados han sido duros por esto mismo. Y con la decadencia que tenemos en lo alto, qué podremos hacer....La umma andalusí no fue una excepción, ni tan siquiera con la paciencia y gratitud que mostraron tantos religiosos.
- Asimismo, el islam se aprovechó de la " dependencia exterior " que en muchas ocasiones hemos mostrado los hispanos. Es " nuestra contradicción ": Por un lado, morimos antes que soportar la esclavitud y nos mostramos rabiosamente celosos por nuestra libertad, pero por otro lado, nuestro caudillismo, nuestra devotio iberica, nos " puede " y más ante situaciones críticas. Eso era así en el pasado. El presente aquí es para los eunucos.- Ese " islam autóctono ", ¿ sería parecido, por ejemplo, al islamismo bosnio, tal y como defienden los de la nueva mezquita de Granada ? Sí y no. Son contextos muy distintos. Hay parecidos pero diferencias. Los bosnios por ejemplo, si bien fueron siempre heterodoxos, culturalmente estaban más distanciados de los turcos porque no habían tenido un contacto tan intenso como el que tuvieron en el paganismo y en el cristianismo a entrambas orillas del Estrecho de Gibraltar. La asimilación bosnia del islamismo ha ido por otros derroteros; caso parecido al albanés. La chechena es bastante más reciente. ¿ Hubo, eso sí, una " revolución espontánea " del islam en el Occidente, tal y como defiende Olagüe ? Nuestra opinión es que esto es falso. El islam fue combativo y muy sagaz, pero no provocó " revoluciones alegres ". También es cierto que el islamismo sigue " atrayendo " por su hábil connivencia pseudomística/exótica/combativa. Y porque gracias tanto al clero como a los seglares, parecemos empeñados en el buenismo progre y en querer parar un tsunami tapándonos los ojos. Si nosotros no ya no conocemos a nuestros autores ( Como De Prada indica para con el Padre Castellani ), si no que nos empeñamos en no presentar la Verdad que nos hace libres, si nosotros caemos en ese relativismo y en esa relajación, " otros vendrán...."; como Víctor Manuel le cantaba al Generalísimo allá por el 1973.
- ¿ El islam ante el " mundo español " es igual que ante el " mundo portugués ", al menos en su " evolución " ? Reconocemos nuestro desconocimiento en esta " especialidad ". No obstante, adelantamos que creemos que demasiadas diferencias no hubo. Al menos por lo que conozco de la gran patria hermana. Y por todo, válganos como ejemplo que el afán reconquistador se quiso extender hacia el Norte de África, ya fuera Aragón, Portugal o Castilla. Ceuta, Alcazarquivir, Melilla, Bujía, Djerba, Orán, Argel....Hasta Sidi Ifni y el Sáhara. Ahí está ese " afán ", que por desgracia no se pudo materializar del todo. Por algo insistió en su testamento Carlos VII el Restaurador, por algo lo vieron tan claro los tradicionalistas Vázquez de Mella y António Sardinha, así como el idealista Ganivet; por algo es nuestra gran asignatura pendiente. Si conservamos visión política, por más desanimado que esté el percal, veremos en la Transfretana nuestra " atracción inmediata ". Esto último lo tienen más claro sobre nosotros los islamistas.
- Sí es cierto que el islam logró aunar una cultura poderosa, como logró unificar a los pueblos árabes, a aquellos clanes beduinos de los adnan y los qahtan. Pero no es menos cierto que en el islam también se dieron tiranías insoportables. Y hasta hoy. Con " revigorizar " el papel de lo beréber y lo hispano en el " mundo andalusí " no queremos " restarle valor " a la élite árabe que siempre estuvo aquí. Si más o menos numerosa, no nos parece un tema de inmediata discusión, puesto que creemos que poco vamos a avanzar en ese sentido que no sepamos ya. Queremos indagar en el por qué de la pervivencia del islam ante lo hispano. Y como el mismo Olagüe reconoce, por lo " árabe de por sí " no se explica. O mejor dicho: No se explica " en soledad ", " puramente ".
- El hecho de que haya neoislamistas que reivindiquen lo morisco en los distintos grupos hampones que se sucedieron por las Españas y en ciertas palabras germanescas nos parece ridículo y que no aporta nada nuevo ni nada a su favor tampoco. Por intentar escarbar son capaces de tirarse piedras en su propio tejado sin darse cuenta. ¿ Que hay relación entre los moriscos, los bandoleros y la emergente minoría gitana ? ¿ Que eso se ve en ciertos rasgos del flamenco ? Puede ser, aunque de momento no salen más que baratas conjeturas. Y esto es peligroso, porque sería asimilar al pueblo calé al hampa automáticamente, cosa que no veo justa. Como no veo justo ni real que todos los moriscos o " post-moriscos " se echasen a la mala vida y así, tanto la impregnaran. Y de todas formas, ¿ qué rasgos tendrían los otros bandoleros peninsulares, culturales y etc. ? ¿ Y por qué esa " fácil asimilación gitana ", cuando el gitano traía una cultura primigenia de la India ya muy mezclada con muy distintas naciones y no conocieron siquiera la época andalusí ? Y porque en todo caso, hemos de suponer que los distintos clanes mafiosos se llevan bien y protegen entre sí. En la Historia jamás ha sido así, es un razonamiento pueril y cuentístico. En las leyendas es posible todo. Pero la realidad es muy distinta. Y es que repetimos: Con estas pseudofábulas, no se dejan bien ni a ellos mismos.
- ¿ Tuvieron algo que ver los conquistadores de América con los moriscos ? Alguno habría. Sabemos que en la expedición de Coronado por Norteamérica llevaron a un esclavo moruno, Esteban, apodado " el Negro ". Pero pretender defender esto basándose en que los gauchos llevaban pañuelo en la cabeza y hacían poesía me parece una solemne paparruchada. ¿ Influencia morisca en los conquistadores ? Realmente bien poca. Pero volvemos a que en las reinvenciones recreativas y los ideologismos, todo es posible, como el fabricar fantasmagóricas cifras. De todas formas, hay quien se consuela pensando en que los moriscos, con los turcos, llegaron antes que la hueste de Colón a América. Y se llega a hablar hasta de ¡ barroco árabe ! Muchas veces, la libertad de expresión resulta ser un problema....Al final, es intentar quitar protagonismo y buscar el victimismo más soez. Eso aburre mucho ya. Porque este falseamiento y estos ridículos, como vemos, no le hace bien ni a lo que fue realmente lo andalusí. Además, ¿ no fueron los conquistadores unos asesinos despiadados ? Ah sí, pero es que lo poco bueno que tenían venía de la morisma....Como si lo estuviera leyendo o escuchando.
- Para ser tan, tan parecidos, la fonética y el carácter del moro no tiene nada que ver con lo nuestro. Algo estará fallando. Ay, la ideología....
- ¿ Y por qué tan mansamente entran todas estas corrientes mixtificadoras y politiqueras-caciquiles ? Porque parece ser que los hispanos aún no hemos aprendido a amar a la patria como se merece. Mientras tengamos esa falta de amor propio, seremos presas no ya del islam, sino de cosas todavía mejores....
- Y que no tenemos nada en contra de los árabes. Nos encantan los cristianos libaneses, irakíes, sirios, jordanos, palestinos, etc.; descendientes de los apóstoles y comunidades cristianas más antiguas del mundo, que estaban presentes allí en sus tierras queridas mucho antes que llegaran los alfanjes de Mahoma. El Cristianismo viene del Oriente, no del Occidente; cosa que muchas veces olvidamos.
Que rezamos por la conversión de los bereberes a la Fe de sus primerizos padres, así como la de los árabes, cuya presencia en el Cristianismo está atestiguada en la Biblia, en los Hechos de los Apóstoles. Así como rezamos por la conversión de los judíos. Y estaremos de acuerdo con eso del mercadeo de las nacionalidades cuando los tunecinos se la concedan a los descendientes de vándalos y cuando los turcos pidan perdón por el genocidio armenio; y cuando todo el Magreb también lo pida por su trato hacia tantos cristianos hispanos y de la Europa del Este, etcétera.
- Seguimos recomendando la obra del eminente erudito arabista Serafín Fanjul: Al Andalus contra España: La forja del mito.
- Y que, porque hacemos el intento de reconocer la Historia y podemos percibir los parecidos, nos da miedo el presente y más miedo todavía el futuro. Como dejó dicho Chiquito de la Calzada, está la cosa muy malita. La umma parece haberse enterado mejor que muchos de nosotros de qué va la película. Empero, si nos vuelven a invadir, por lo menos hemos de saber a qué atenernos y no volver a pecar de ingenuos. Y que por más que me duela, tenemos merecido un grave castigo.* (¡):

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Todos Um Santo Natal

A TODOS UM SANTO NATAL E UM FELIZ 2009, NA GRAÇA DO SENHOR!

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Democracia é como o Pai Natal: Não Existe.

Todos sabem que o Pai Natal não existe. Mas se existisse, porque é que tantas crianças pobres ficaríam, todos os Natais, sem presentes para brincar enquanto outras, mais afortunadas, ostentam prendas tantas que não conseguem conhecê-las todas?
Se o Pai Natal existisse sería um agente de exclusão e, como tal, não sería democrático... se a Democracia existisse...
Será que existe?
O que é a DEMOCRACIA?
Vejamos o que nos diz uma fonte insuspeita junto dos meios ditos "democráticos": A Wikipedia - Enclopedia Livre
"Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monárquico.
"A Democracia opõe-se à ditadura e ao totalitarismo, onde o poder reside numa elite auto-eleita."
Tomemos a democracia na sua forma pura, a directa: só a Suíça tem um regime ligeiramente aproximado a esta... que é, de resto, impossível de implementar pois sería necessário realizar plebiscitos de voto universal, em tempo real, sobre todas as decisões governativas. Chegamos, pois, à conclusão que a democracia ou não é directa ou não é uma forma de governo efectiva para qualquer estado maior que São Marino. Logo, a Democracia Directa não existe.
E quanto à Democracia Indirecta? Será que existe?

Diz a Wikipedia que, em Democracia Indirecta ou Representativa, "o poder de tomar importantes decisões políticas está como os cidadãos(...)por meio de representantes eleitos."

Mas onde é que entram nisto os Partidos Políticos? É que esses sim, existem desde logo nos boletins de voto onde, à excepção das eleições presidenciais, nem constam os representantes a eleger. Vejamos novamente a Wikipedia:

"Um partido político é um grupo organizado formal e legalmente, com base em formas voluntárias de participação, em uma associação orientada para influenciar ou ocupar o poder político"

Mau! Mas então o poder político, que é o de tomar importantes decisões políticas, está com os representantes eleitos ou com os partidos?

Diz mais a Wikipedia: "De direito privado que, no sentido moderno da palavra, pode ser definido como uma união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizado e com disciplina."

De facto os partidos políticos são organizados e têm disciplina... nomeadamente, disciplina de voto nas bancadas parlamentares onde os representantes eleitos pelo povo deviam, democraticamente, exercer livremente o mandato que lhes foi dado pelo povo, através do voto.

Deviam mas não exercem. Porque a sua liberdade lhes é tolhida pela disciplina dos partidos políticos. E quem exerce a disciplina nos partidos políticos? As respectivas lideranças que foram escolhidas, de forma mais ou menos livre, pelos próprios membros do Partido Político... não pelo povo.

Portanto, podemos concluir que em democracia representativa, o poder político que devia "estar com os cidadãos", ao invés "reside numa elite auto-eleita." - as lideranças dos partidos políticos.

Logo, a democracia indirecta ou representativa, quando considera a existência de partidos políticos é uma ditadura ou totalitarismo e, quando não considera, não gera os consensos necessários e atempados a um governo eficiente... porque não tem disciplina.

Assim, sendo o que não é, não tem existência.

LOGO, A DEMOCRACIA NÃO EXISTE.

ATENÇÃO: O autor adverte o leitor de que o consumo sem regra nem cepticismo da Wikipedia - A Enciclopedia Livre pode ser extremamente intoxicante. Se for o caso pela leitura deste artigo, tem este outro de leitura muito mais nutritiva e proveitosa, sobre o mesmo tema. Em caso de persistência dos sintomas, consulte o médico. O autor tenciona fazê-lo muito em breve.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Hipólito Raposo, Filología política

Que excelente texto nos traz o Fray Trabucaire (ou Irmão de Lá) ao Foro Santo Tomas Moro. A juntar a António Sardinha e Don Juan Vasquez de Mella, Hipólito Raposo e Don Ramiro de Maetzu estão definitivamente no quadro de honra do SAGRADA HISPÂNIA. E vamos juntando muitos mais... Tenho que dizer que não estou de acordo com a excessiva tónica que Raposo coloca na hegemonia castellana nem com a exclusão que faz de África como pólo de hispanidade, que no meu entender é, apesar de constituir uma realidade muito diferente. Em todo caso e como dizia... Um texto excelente!
Hipólito Raposo, Filología política / 1 febrero 1932 Acción EspañolaMadrid, 1º de febrero de 1932 tomo I, número 4páginas 408-412 La historia Hipólito Raposo Filología política
El artículo La Hispanidad, publicado en el primer número de esta revista por su ilustre colaborador D. Ramiro de Maeztu, me invita a una pequeña aclaración con la que mucho desearía que todos nos lucrásemos, al disiparse un equívoco tejido en torno de palabras aún imprecisas.
¿Deberá incluirse en la expresión «hispanidad» (o la portuguesa «hispanidade») Portugal y el Brasil? El Sr. Maeztu, para contestar afirmativamente, se ayuda de cinco autoridades portuguesas: Camões, André de Resende, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Garrett y Ricardo Jorge.
Todo cuanto atribuye a los últimos cuatro, como aplauso o en desenvolvimiento de la primitiva proposición de Resende, es cierto, y ningún portugués culto podría legítimamente contrariarlo. Hispani omnes sumus (hispanos, somos todos) todavía hoy lo podemos repetir con verdad. Pero, Hispania no es España, ni hispano tiene el mismo valor que español.
El destino histórico nos puso en presencia de dos conceptos, uno cultural y político el otro, que por mucho tiempo fueron expresados por el mismo vocablo –España o Hespanha–, en el uso de los escritores portugueses, y pienso que también en el estilo corriente de los españoles.
En el habla romance de la Edad Media el vocablo Hispania vino a convertirse, por la fuerza de conocidas leyes fonéticas, en su equivalente España, que fue siendo empleado para designar, tanto la vieja Península Ibérica, la Hispania Romana, como el reino que, bajo la hegemonía de Castilla, unificó algunas de las [409] antiguas monarquías cristianas de la Reconquista y en oposición a Portugal, Aragón, Navarra y a los reinos árabes.
Oigamos lo que a semejante respecto nos dice Carolina Michaëlis: «... la palabra España tenía en la época trovadoresca dos sentidos, el más lato para la Península entera, el más restricto para Castilla y León.»
Para evitar posibles confusiones, quien quería designar la generalidad de los reinos cristianos, decía y escribía las Españas (en plural), refiriéndose al concepto totalitario de la propia división romana. {(1) Cancioneiro da Ajuda, II, págs. 313 y 614.}
Por eso la invocación de la autoridad de Camoens (Os Lusiadas, C. I., 31) podría ser reforzada en el mismo sentido, con las referencias del III, 23; IV, 49, 53; VI, 56; VII, 68; VIII, 45; las cuales hemos de considerarlas destituidas del valor probatorio que a la primera se atribuyó, al confrontarlas con estas otras: III, 17, 19, 103; IV, 61; VII, 71; VIII, 26.
Del empleo del doble significado España encontramos también numerosos ejemplos en los escritores del siglo de Camoens, tales como Joao de Barros, Frey Amador Arraiz, &c. * * *
Hoy podemos decir que españoles y portugueses implantaron en América la civilización hispánica; nosotros, hispanos, debemos llamar América hispánica a las naciones que allá creamos, cuando hayamos de considerar en su conjunto la proyección civilizadora de la Península hispánica en las tierras del Nuevo Mundo. Del mismo modo, a la expansión cultural de las dos naciones libres e independientes que por su feliz destino se repartieron para siempre el territorio de la vieja Hispania, es lícito darla el nombre de hispanidad o hispanidade, abrazando en ese término la lengua, la religión, las costumbres, el derecho y el arte, como común patrimonio, en la herencia de Roma.
Pero, siendo preciso considerar también en su perfecta [410] individualidad las acciones imperialistas de gobierno y dominio, de apostolado, de asimilación y consecuente fisonomía mental, en los territorios vastísimos de Portugal de hoy y de la España o Castilla de ayer, por la misma justa razón debemos recurrir a los neologismos y decir lusitanidad y castellanidad.
Tan propio es llamar América hispánica al conjunto glorioso de las nuevas naciones simultáneamente creadas en tierras descubiertas por esfuerzos paralelos, como impropio sería decir Africa hispánica, India hispánica o Oriente hispánico, ya que tales expresiones carecerían de significado real.
Castellanidad y lusitanidad, en el decurso ulterior (moderno) de nuestra misión colonizadora, traducen dos conceptos semejantes y diferentes: semejantes por lo que ambos tienen de hispanidad, o sea de patrimonio común; diferentes, en todo cuanto caracteriza y diversifica las dos naciones que tienen sus capitales políticas en Madrid y en Lisboa.
Así, hispanidad definiría bien el resultado del esfuerzo paralelo, simultáneo o no, con que los dos pueblos peninsulares alcanzaron y ejercitaron la capacidad de expansión ultramarina, sembrando de naciones nuevas el Nuevo Mundo.
Por los siglos XVI y XVII, en la edad de oro de la conquista y del apostolado, eran comunes los intentos, se permutaban los misioneros y algunas veces los navegantes.
La universalización del Renacimiento, ganando las posibilidades de hacerse efectiva con las navegaciones que revelaron los caminos de la esfera terrestre, encontraba también ejemplo y favor en la catolicidad de la Iglesia, que patentaba a las naciones su común origen latino y predicaba a los hombres la igualdad de naturaleza y de destino y la justicia de las recompensas, conforme a los dogmas del Cristianismo romano.
* * *
La referencia al período en que Portugal estuvo unido a España (1580-1640), primero en régimen jurídico-político de Monarquía dualista y después en abuso de dominio y opresión de que nos libertamos por la fuerza de las armas, en larga y victoriosa [411] guerra, justamente puede mostrar que el concepto cultura de Hispania es inconfundible con el significado político de España; y prueba también que, dentro de los límites de la vieja Península, Portugal y España, ayer y hoy, y, por nuestra parte, también en un mañana sin límites, constituyen dos realidades distintas e inconfundibles.
Históricamente, en buen rigor, data de entonces la divergencia y oposición de sentido que tantas veces alejaron a Portugal de Castilla, a la lusitanidad de la castellanidad...
Si es cierto que algunas veces hubo también para Castilla un peligro portugués, sólo el peligro castellano para Portugal fue una realidad, y, por lo tanto, sólo él merece ser incluido en el balance histórico-político, mostrando que, donde se procuró una unidad forzada, se verificó la inevitable y natural disociación de la monarquía de Felipe IV.
Por amor de la justicia, no será inoportuno recordar que el concepto político de Portugal, como patria, viene del siglo XII, al paso que la realización de la unidad castellana, sólo fue posible a finales del XV, dando origen a la moderna España.
En resumen: hispanidad, lusitanidad y castellanidad, si quisieren adoptarse estos tres vocablos que las exigencias del rigor crítico aconsejan, en esta hora histórica de confusiones y subversiones, expresan con precisión las empresas comunes o paralelas de las dos naciones libres de la Península y los esfuerzos aislados, particulares o específicos de cada una de ellas, a partir del siglo XVII.
Las divergencias se fueron marcando, desde la lengua, de las artes, del derecho, a los métodos de ocupación y colonización.
No es mi deseo o arbitrio que puede imponer a la civilización hispánica la adopción de estos vocablos, en el sentido que pretendí fijarles, fijando ideas y previniendo equívocos; tal vez tampoco lo pudiese alcanzar el Sr. Maeztu, con toda la autoridad que merecidamente disfruta en los medios intelectuales españoles e hispánicos, en la hipótesis, muy lisonjera, de llegar a estar de acuerdo conmigo.
Para entendernos clara y lealmente, se hace indispensable precisar ideas y definirlas en términos. Lo que queda dicho, creo no ha de ser enseñanza para nadie y menos –nunca pretendí semejante cosa– para el Sr. Maeztu. [412]
Pero era preciso que no pasase oportunidad, sin determinar nuestra posición en las huestes del orden cristiano y latino que se alinean en esta revista, seguro de que, reconociéndonos distintos por los colores de nuestros escudos, no nos sentimos disminuidos en fuerza y autoridad para considerarnos hermanos de armas, en la cruzada contra la barbarie roja de Oriente o de Occidente.
Hipólito RAPOSO
No veo inconveniente en aceptar la distinción que hace el Sr. Raposo, y que debe agradecérsele, entre hispanidad, lusitanidad y castellanidad. Más aún, creo que será necesario complementarla con otra: la de hispanidad y españolidad, porque hay españoles, como los vascongados, que no nos sentimos incluidos en la castellanidad, pero sí en la españolidad y más aún en la hispanidad.
De todos modos me parece difícil evitar del todo los equívocos, porque no hay, y debiera haber, una palabra que sólo designe la totalidad de los pueblos procedentes de España, otra que comprenda Portugal y el Brasil y otra, finalmente, que abarque la totalidad de los pueblos engendrados por Portugal y España. Habrá que suplirlas con estar siempre prevenidos de que hispanidad tiene dos sentidos: el más amplio, que abarca también los pueblos lusitanos, y el más restringido, que los excluye; pero esta precaución no es distinta que la impuesta por las mil palabras de varios significados que empleamos en el habla corriente.

domingo, 7 de dezembro de 2008

DESPERTA PORTUGAL ! - Fray Trabucaire

Desperta Portugal, Desperta teu coração,
Desperta tua cabeça,
Desperta tua razão,
Desperta, nação marinheira,
Que teus filhos desejam dizer:
" Orgulhosamente nós ! ";
Todo o povo português,
Desperta a tua coragem guerreiro,
Desperta, cristão universal, Desperta teu fogo,
De pátria tradicional,
Desperta com uma canção, Que faça de teu lirismo,
Uma bandeira sentimental,
Com fundo de heroísmo,
Desperta, Senhor do Atlântico, Desperta, alma de descobridores,
Desperta, e nao morras,
Desperta, cavaleiro monge,
Desperta por tuas crianças,
Já assaz grande é o mal,
Desperta, irmão vizinho,
Desperta, Portugal,
Desperta pela Fé, Que Deus ficará contente,
Eu, como espanhol quero-te,
Quero-te como sempre,
Pela aliança peninsular,
Com Sardinha falo-te,
As duas pátrias em liberdade, Como o toiro perto do monte,
Dos mais importantes homens,
Aos vagabundos,
Desperta Portugal !
Desperta ante o mundo !

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

HISPANIA CHRISTIANA

Fray Trabucaire, o Irmão de Lá, traz-nos um interessantísmo artigo sobre a Cristianização da Península, da nossa amada Hispânia. Visite http://lasantaalianza.blogspot.com/
Siendo fieles seguidores de Libro de Horas y Hora de Libros; esta vez no nos podemos resistir a reproducir íntegramente un gran artículo para agradecer la erudición de su autor. En nuestro tiempo, urgentes resultan los que buenamente trabajan la Historia y defienden nuestros reales y claros orígenes. Pasen y vean:
En las imágenes: Virgen bizantina. Debajo, detalle del sarcófago paleocristiano hallado en Martos.
Ante la ofensiva contra el cristianismo que dirige el presente gobierno, queremos publicar un breve estudio que nos ponga en antecedentes de los primeros pasos del cristianismo en la Hispania romana. A través de este ejercicio podremos comprender la tremenda responsabilidad que tenemos los cristianos de defender y perpetuar nuestra Tradición milenaria que constituye nuestra genuina identidad como españoles.
LA IMPLANTACIÓN DEL CRISTIANISMO EN LA HISPANIA ROMANA
En las últimas décadas del siglo XX se ha producido en España una siniestra tergiversación del sentido auténtico que tiene la devoción a la Virgen María. En Jaén, de la mano del novelista y hierofante Juan Eslava Galán, se ha pretendido vincular la veneración a la Santísima Virgen María con cultos de raigambre pagana, recurriendo a doctrinas esotéricas y heterodoxas que confunden a la Virgen María con antiguas divinizaciones femeninas y matriarcales: Gea, Dea Mater, Dea Celestis, Isis... La diosa blanca de Robert Graves, El secreto de las catedrales de Fulcanelli, El Misterio Gótico y Los templarios están entre nosotros de Gérard de Sède –así como otros presuntos ensayos históricos y esotéricos- pueden aducirse como antecedentes bibliográficos de esta tendencia que se abre paso para extraviar a los cristianos. Se desfigura así la verdadera identidad de María Santísima al equivocarla con diosas paganas que recibieron culto en tiempos pre-cristianos, con la aviesa intención de desposeer de su auténtico significado la verdadera devoción a María.
D. José Orlandis en su Historia de la Iglesia nos lo dice con meridiana claridad: “Las regiones más cristianizadas parecen ser aquellas donde la romanización era también más intensa: las provincias de la Bética y la Tarraconense, es decir, Andalucía y la costa mediterránea.” Es lógico pensar que la evangelización de Hispania franqueara con más facilidad las comunidades más romanizadas que por razones comerciales o políticas tuvieran un mayor trasiego de extranjeros. José María Blázquez señala que: “La penetración del cristianismo en Hispania sigue, por consiguiente, las grandes vías comerciales y los mismos caminos que el avance de la romanización, con la que coincide en que sus portadores fueron los mismos en ambos casos: ejércitos y mercaderes”. Además de todo esto, tengamos en cuenta la existencia de comunidades judías asentadas en Hispania desde tiempo remoto, ellas pudieron ser receptoras del evangelio, aceptándolo o rechazándolo según los casos.
Dos grandes relatos se proponen como respuesta a la pregunta por la cristianización en España: 1.) El relato legendario de los Siete Varones Apostólicos y 2.) Lo que la Historia, auxiliada por la arqueología, la paleografía y otras herramientas, nos puede decir sobre la propagación del evangelio en Hispania y la erección de las primitivas cristiandades.
LA LEYENDA DE LOS SIETE VARONES APOSTÓLICOS
La historiografía más escrupulosa y crítica descarta la existencia de los Siete Varones Apostólicos, relegándola a un mítico relato inventado en los tiempos en que el cristianismo visigodo, ante la necesidad de vincularse a Roma, hace surgir esta piadosa leyenda conocida como la de los Siete Varones Apostólicos. Pero, independientemente de lo que la historiografía crítica haya rechazado de esta leyenda, veamos lo que la misma nos revela.
Podemos suponer que, tal y como se dice en los Hechos de los Apóstoles, tras la muerte del protomártir Esteban, los cristianos de Tierra Santa huyen de la persecución que se inicia contra ellos. Era comúnmente aceptado por los historiadores eclesiásticos de España en los siglos XVI y XVII que muchos de esos judíos que habían abrazado el cristianismo llegaron, en su huida de Tierra Santa, a Hispania.
La leyenda de los Siete Varones Apostólicos sostiene que dos hispanos -Eufrasio (nombre que etimológicamente significa “el que habla bien”) e Indalecio (que significa “fuerza”)- son enviados a Jerusalén, para recoger, treinta y tantos años después, información de lo que en los Santos Lugares ha sucedido: la Redención por la inmolación en la cruz de Jesucristo y su Resurrección. Allí, en Jerusalén, Eufrasio e Indalecio consiguen hablar con San Pedro y con la Virgen María y, una vez convertidos al cristianismo, solicitan del Príncipe de los Apóstoles que éste designe a Santiago el Mayor como apóstol de Hispania. En el año 37 Eufrasio, Indalecio y Santiago el Mayor embarcan en el puerto de Jaffa y desembarcan en Almería. A lo largo de cuatro años el Apóstol Santiago, en compañía de Eufrasio, recorre la Bética y el resto de la península, recibiendo a orillas del Ebro la visita de la Virgen María –que todavía vivía vida terrenal- para confortarlo, con lo que tiene su principio la tan arraigada devoción de Zaragoza a la Virgen del Pilar.
En el año 41 Santiago el Mayor con Eufrasio y los seis varones apostólicos (Indalecio, Torcuato, Tesifonte, Hesiquio, Cecilio y Segundo) abandonan Hispania y parten a Jerusalén. En el año 42 Santiago el Mayor con su hermano Juan y la Virgen María marchan de Jerusalén a Éfeso. Allí, Juan y la Virgen María se instalan. Eufrasio va con ellos, siempre a la vera de su Maestro Santiago. El 25 de mayo del año 42, según la leyenda, Eufrasio se halla en la decapitación de Santiago por Herodes Agripa, que lo manda degollar después de capturar al Apóstol en una visita de éste a Jerusalén.
Cuenta la tradición que, por orden de María Santísima, Eufrasio da sepultura al cuerpo glorioso de Santiago en el Monte Calvario, muy cerca del Santo Sepulcro. Pero el 18 de julio de ese mismo año exhuman el cuerpo del mártir y Eufrasio, en compañía de los otros seis, embarcan trayendo las reliquias a España. El viaje dura siete días. El 25 de julio –festividad de Santiago Apóstol- llegan a Hispania. Los Siete Varones Apostólicos arriban a Iria Flavia, y en lo que luego se llamará Compostela dan sepultura a Santiago. La Reina Lupa, una señora pagana, se convierte al ver los prodigios que obra aquella gloriosa reliquia. Cuando se inician las persecuciones contra los cristianos en Hispania, el sepulcro de Santiago es ocultado bajo escombros y cascotes, hasta que 759 años después, en tiempos de Alfonso el Casto y tras una serie de fenómenos sobrenaturales, se descubre la tumba del Apóstol y se le llama a ese lugar Campo de la Estrella, Compostela.
Los Siete Varones Apostólicos se habían derramado por la península, tras cumplir su cometido de dar sepultura al cuerpo del apóstol y mártir glorioso Señor Santiago. El 18 de enero del año 44, Pedro llega a Roma y establece allí su Sede y Cátedra Pontificia. Los Siete Varones Apostólicos, enterados de la buena nueva, emprenden romería –peregrinación a la Ciudad Eterna- para lograr de San Pedro Apóstol la consagración episcopal. Allí, según una tradición, Eufrasio recibe de la Verónica el lienzo sacratísimo en que se impregnó el Santo Rostro de Jesucristo cuando esta misma mujer fue a enjuagarle la faz sanguinolenta al Señor que iba cargado con la cruz. Eufrasio, una vez que retorna a la península ibérica, deposita el Santo Rostro en Iliturgi.
En el año 50 –según la leyenda- San Pedro Apóstol llega a España, desembarcando en la costa malagueña. Trae San Pedro consigo una serie de sacras imágenes de María Santísima (son muchas, según la tradición: todas las que se atribuyen a la mano de San Lucas.) A Eufrasio se le otorga por parte de San Pedro Apóstol un obsequio magnífico: una talla de María Santísima que luego será venerada bajo la advocación de Virgen de la Cabeza.Eufrasio pasa catorce años al frente del episcopado de Iliturgi, poniendo los cimientos de la devoción que los indígenas sentirán por la Virgen de la Cabeza.
Un juez delegado de Nerón inicia una persecución en Hispania. Captura a Cecilio, Hesiquio y Tesifonte en Granada y los romanos les dan muerte martirial quemándolos en una hoguera. Eufrasio escapa del martirio en esa ocasión, pero el 14 de enero del año 58 es capturado y muere decapitado en la misma Iliturgi, sede episcopal a la que dedicó más de catorce años.
La leyenda de los Siete Varones Apóstolicos es una piadosa relación que trata de presentarnos los primeros pasos del cristianismo en Hispania. Los Siete Varones Apostólicos son celebrados por la Iglesia en su festividad que es el 15 de mayo del calendario litúrgico, día y mes en que se supone que entraron a España para acometer la gran empresa de la primera cristianización de la península ibérica.
Una vez presentada esta leyenda es obligado que ni siquiera refiramos que la misma ha sido crudamente criticada, puesta en tela de juicio, equiparándola con un relato mítico, por lo que no podría aspirar –en las entendederas de sus detractores- a ser otra cosa que una piadosa leyenda hagiográfica invalidada por la crítica histórica en la práctica totalidad de sus elementos.
Sin embargo, el testimonio de San Gregorio VII sostiene, en carta a Alfonso VI, que los Siete Varones Apostólicos, como discípulos de Santiago, fueron enviados a Hispania. Indalecio predicó en Urci, Tesifonte en Vergi, en Carcesa lo hizo Hesiquio y Segundo en Abula. Ciudades de difícil localización, aunque en el caso de Eufrasio está muy claro que su apostolado lo realizó en Iliturgi, antiguo enclave poblacional de cierta consideración que por lo común se identifica con Andújar, aunque existen muchas razones arqueológicas para situarla más bien en las inmediaciones de la actual Mengíbar.
LA HIPÓTESIS AFRICANISTA DEL ORIGEN DEL CRISTIANISMO HISPANO
Desde los albores de la crítica –y sobre todo desde la Ilustración del siglo XVIII- se ha llevado a cabo una auténtica demolición de todo lo recibido como tradición. La Leyenda de los Siete Varones Apostólicos fue sometida a un severo examen y hoy son muy pocos los que conceden veracidad al relato fundacional del cristianismo hispano remontando a San Eufrasio y los seis varones apostólicos los orígenes de nuestra evangelización.
Se ha considerado que todo lo que gira alrededor de los Siete Varones Apostólicos no es más que una fábula benévola que, para historiadores como D. José María Blázquez, es fruto de la necesidad apologética que precisarán las iglesias hispanas, cuando tengan que buscar vínculos con Roma; será así como se invente todo un pasado apostólico que no se sostiene con datos históricos. Para estos autores modernos, el cristianismo en España encuentra su explicación en las continuas y fecundas relaciones que la península mantuvo con el norte de África. Es lo que llamaré la “hipótesis africanista”.
Basados en un escrupuloso estudio de las fuentes, fijando su autenticidad, los historiadores modernos han determinado que la primera y fidedigna fuente escrita que da fe de la existencia de cristiandades en Hispania data del año 254, levantándose acta en la Carta 65 de San Cipriano de Cartago. Existe una mención anterior, pero ésta se ha puesto en tela de juicio: es la que se atribuye a Tertuliano, que allá por el año 200 decía: “todos los ámbitos de las Hispanias… en todos esos lugares reina el nombre de Cristo, que ya ha venido”. Tampoco parece que para estos investigadores sea suficientemente fiable las menciones que hiciera San Ireneo en el año 180 sobre la existencia de iberos evangelizados, pues se teme que San Ireneo no fuese de Lyon de Francia, y estuviera refiriéndose más que a los iberos de aquende, a los iberos de Asia Menor.
Los modernos han estimado que son muchas las razones que apuntan a la vinculación primitiva de las cristiandades hispanas con las de la cornisa mediterránea de África. Por el norte de África cundió muy pronto el cristianismo, propagándose imparablemente. Las actas martiriales más antiguas que se conservan son las de los mártires de Scillis que entregaron su vida por Cristo en el año 180.
Entre las razones que se acostumbran señalar, como indicadores de la dependencia del cristianismo hispano del africano, son muy interesantes las que subrayan el rigorismo de muchos de los cánones del Concilio de Elvira (Granada), celebrado alrededor del año 300, que lo aproxima al cristianismo de cuño norte-africano. De las 37 sedes hispanas que comparecen al Concilio de Elvira, 28 iglesias representadas en el Concilio pueden ser localizadas en territorio hoy andaluz y de las 28, 6 son las que pueden ubicarse sobre el territorio que ocupa actualmente la provincia de Jaén. En dicho Concilio de Elvira encontramos la primera mención del obispo Camerino y el presbítero Leo, de Tucci (Martos), que en la ocasión referida comparecieron. La existencia de comunidades hispano-cristianas regidas por presbíteros es otro rasgo en común que muestran las primitivas cristiandades hispanas con las africanas, sin que se encuentre parangón en otras comunidades paleo-cristinas de Occidente.
Otra razón muy poderosa que aducen los autores modernos a este respecto es el origen africano de la arcaica liturgia hispana, así como la abundante presencia de términos latinos que eran de uso común en la organización eclesial de las cristiandades africanas y que comparten las hispanas: así “fraternitas” significando “comunidad de fieles” o “statio” como ayuno, muchas de ellas extraídas del argot militar, lo que como se verá más abajo no tiene que sernos extraño. Para una de las autoridades en esta materia, D. José María Blázquez, el cristianismo que se implanta en Hispania lo hace de la mano de los legionarios y de los mercaderes, procedentes de las comunidades cristícolas del norte de África. La cantidad de documentos epigráficos y arqueológicos así parece ponerlo de manifiesto.
Tenemos una imagen muy pobre de la antigüedad; muchos piensan que por falta de transportes rápidos y seguros, el hombre apenas viajaba en aquellas edades. Incluso hay profesores universitarios, de cuyo nombre no queremos acordarnos, que negaban la posibilidad de la venida del apóstol Santiago a España alegando la falta de transportes. En cambio, si bien es cierto que muchas personas podían permanecer desde su nacimiento hasta su muerte en el lugar de origen, ciertos grupos humanos por deberes profesionales y laborales se veían obligados a viajar. Los soldados forman uno de esos grupos abocados a la vida viajera en la antigüedad.
Harnack había señalado que muchos militares del norte de África abrazaron en fecha temprana el cristianismo; se sabe que el padre del mismo Tertuliano, más arriba referido, era un alto cargo militar. M. Díaz y Díaz, profundo conocedor de la arqueología paleocristiana, piensa que la evangelización de Hispania encuentra la clave de su arraigo originario en la Legio VII Gemina. Formada por legionarios reclutados entre los pobladores de las actuales León y Astorga, se sabe que estos soldados fueron movilizados en varias épocas para combatir en el norte de África, conocida como la Tingitania (aproximadamente la actual Argelia). Son muchas las cohortes que se documentan en esa zona gracias a documentos epigráficos varios: la cohors I fida vardulorum, la I augusta bracarorum, la I flavia hispanorum, la II hispanorum y la lusitanorum. Tertuliano menciona que en Lambaesis, norte de África, había echado raíces el cristianismo, y en la misma Lambaesis nos encontramos testimonios que confirman la presencia de la Legio VII Gemina. Es muy verosímil que algunos legionarios de la Legio VII Gemina, destacados en África, contactaran con las primeras comunidades cristianas y, una vez convertidos al cristianismo allí, pudieron haber traído la fe de Cristo consigo, a su retorno a lo que hoy es León (que recibe su nombre precisamente de la Legio VII) y Astorga.
No faltan testimonios que avalen esta hipótesis. Entre los primeros mártires hispanos van a ser abundantes los casos de legionarios. En el martirio de San Fructuoso, Obispo de Tarragona, y los diáconos Augurio y Eulogio (año 259) aparece mención de soldados cristianos que profesaban la fe cristiana. Un mártir hispano como San Marcelo era centurión de la Legio VII Gemina, los soldados y mártires Emeterio y Celedonio pertenecían a la misma legión.
El otro grupo que colaborará mucho a la difusión del cristianismo en Hispania será el constituido por los mercaderes que, procedentes de las comunidades del norte africano, vendrán a hacer sus negocios a Hispania y, no sólo trajeron sus géneros mercantiles, sino que también trajeron consigo el cristianismo. San Cucufato era “africano, nacido de padres nobles y cristianos de Scillis” y de San Félix se dice que vivía y hacía su apostolado en Hispania “simulando dedicarse al negocio comercial”, también San Félix era oriundo de Scillis. Será pertinente recordar que Scillis es aquella ciudad africana de la que proceden las actas de martirio más antiguas de toda la Cristiandad.
Se sabe que Santas Justa y Rufina, de las que nos ocuparemos más exhaustivamente en otra ocasión, también eran comerciantes que vendían cerámica. En efecto, nos parece muy plausible la hipótesis que remite el origen del cristianismo a la milicia y a los mercaderes provenientes de África que bien comercializaban con Hispania o bien venían a instalarse en la península ibérica.
El origen africano de nuestras primeras iglesias peninsulares puede corroborarse también al pie del rico caudal arqueológico que va descubriéndose. Como señala D. José María Blázquez: “Podemos aducir otras pruebas arqueológicas que confirman el influjo del cristianismo africano sobre el hispano, como las plantas de las basílicas, los mosaicos sepulcrales, las pilas bautismales, las cerámicas estampadas y las mesas de altar”. Aunque no valdría añadir a ese elenco de objetos arqueológicos los famosos sepulcros paleocristianos, como el hallado en Martos (Tucci), dado que estos sepulcros proceden de Roma y fueron traídos por mar, siendo transportados fluvialmente en dirección al nacimiento del río Betis y desembarcados en un punto impreciso del río desde el cual eran distribuidos, transportándolos hasta las ciudades destinatarias. Es cierto, no obstante, que si no el sepulcro paleocristiano marteño, bien es verdad que otros sepulcros de la época, aparecidos en la antigua Bética, se atribuyen a talleres indígenas ubicados antiguamente en Écija, Córdoba y Alcaudete.
El mismo Blázquez indica que: “Desde el punto de vista social, la cristianización comenzó en Hispania por las clases altas. La sociedad hispana, tanto en el siglo IV como en el siguiente, era pagana casi en su totalidad. En grandes zonas de la Península no se advierte la menor huella de la existencia de cristianos”.
CONCLUSIÓN
Sin descartar la venerable y remota tradición de los Siete Varones Apostólicos, por mucho que la fantasía de los escritores que la aceptan pudiera haber introducido elementos espurios inaceptables como históricos, podemos concluir que el cristianismo se implantó en la Bética en los primeros siglos de nuestra Era. Con mucha probabilidad los legionarios que azotaron y crucificaron a Jesús fueron de origen bético, pues si una leyenda afirma que Poncio Pilato era nativo de Tarraco (actual Tarragona), algo más que una leyenda –documentos arqueológicos indubitables- nos indican que muchos de los soldados que formaban las legiones destacadas en Jerusalén eran de origen hispano. Por ejemplo, el famoso Longino. P. Cnaeus Pompeius Homullus Aelius Gracilis Cassianus Longinus se apellidaba “Hispanus”, que estuvo en la Legio II Augusta, destacada en Bretaña. Longinus estuvo empleado en menesteres militares, y más tarde pasó a la Legio X Fretensis en Judea, siendo tribuno de las Cohortes III vigilum, X urbana y V praetoria, condecorado dos veces como centurión con collares, faleras, brazaletes y corona dorada en la guerra germánica del 83; fue centurión del pretorio en tiempos de Domiciano, procurador de las provincias Lugdunensis y Aquitania en Britania y murió en Roma.
Autor: Manuel Fernández Espinosa

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A república não precisa de quem a defenda...

Eu e os Monárquicos Tradicionalistas Portugueses, os Miguelistas de sempre, não podemos deixar de, mais uma vez, lamentar profundamente a triste e patética figura que o Senhor Dom Duarte de Bragança fez de si próprio e da Instituição Monárquica, com mais esta entrevista de dia 1º de Dezembro ao jornal Público.
Com um Pretendente assim, a República Portuguesa não precisa de quem a defenda. Portugal tem o seu D. Carlos Hugo, não há dúvida!
Para não ser acusado de manipulação ou descontextualização de declarações, limitei-me a salientar coloridamente as passagens da entrevista que considero mais ridículas, inapropriadas ou incoerentes, mantendo o texto da entrevista na sua íntegra.
O leitor chegará rápida e facilmente à conclusão do porquê.
Que tristeza...
Entrevista a SAR D.Duarte no 1º Dezembro, Publico
“Se houver uma grave crise, ninguém acredita que a democracia a resolva”
Todos os anos, no 1º de Dezembro, o herdeiro da Coroa portuguesa faz uma comunicação ao país. Hoje, D. Duarte de Bragança falará das oportunidades que a crise económica e financeira traz a Portugal para repensar as opções do regime e as atitudes mentais. É preciso ser menos consumista, dar mais importância à ecologia, à autonomia agrícola, aos valores permanentes. E também à independência nacional. É por isso que o pretendente do trono escolheu o 1º de Dezembro para o seu discurso - porque o Presidente da República não o faz. Mensagem do 1º de Dezembro de 2008(1º de Dezembro de 2008)A monarquia está mais bem preparada para enfrentar as crises. A república é responsável por um ciclo de instabilidade e atraso no país. O 25 de Abril foi o pior que podia ter acontecido. Criou uma democracia frágil. Se a crise se agravar, o povo não acredita que o actual regime a possa resolver. Numa estranha sintonia com as recentes declarações da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, D. Duarte teme que, se houver falta de combustíveis e de alimentos, as pessoas possam ir para a rua exigir um regime totalitário. Paulo Moura (entrevista) e Daniel Rocha (fotos)Todos os anos, no 1º de Dezembro, o herdeiro da Coroa portuguesa faz uma comunicação ao país. Hoje, D. Duarte de Bragança falará das oportunidades que a crise económica e financeira traz a Portugal para repensar as opções do regime e as atitudes mentais. É preciso ser menos consumista, dar mais importância à ecologia, à autonomia agrícola, aos valores permanentes. E também à independência nacional. É por isso que o pretendente do trono escolheu o 1º de Dezembro para o seu discurso - porque o Presidente da República não o faz.
Porque faz sempre um discurso no 1º de Dezembro?
D. Duarte-Quando o meu pai morreu, muita gente me pedia para explicar as minhas posições sociais e políticas. Comecei a fazê-lo no 1º de Dezembro.
Porquê essa data?
D. Duarte-Criou-se a ideia de que a nossa independência não é necessária. De que podemos depender dos outros, seja da União Europeia, seja dos americanos ou dos espanhóis. E até que seríamos mais bem governados se o fôssemos por outros.
Isso é uma tendência recente?
D. Duarte-É um pensamento que data de 1910. O núcleo duro da revolução tinha como objectivo a União Ibérica. É por isso que o vermelho da bandeira portuguesa, que representa a Espanha, é maior do que o verde, que representa Portugal. E ainda hoje há quem pense assim, até alguns ilustres escritores, que deveriam ter mais juízo.
Mas porque cabe aos monárquicos defender o patriotismo?
D. Duarte-Porque não vejo mais ninguém a fazê-lo. As associações dos antigos combatentes celebram o 10 de Julho, o Presidente da República comemora o Ano Novo, e o 25 de Abril, e ainda há alguns que vão ao cemitério do Alto de São João celebrar o 5 de Outubro.
O Presidente da República deveria fazer um discurso no 1º de Dezembro?
D. Duarte-Sim. Se o fizer, deixo de fazer o meu.Criou-se a ideia de que a nossa independência não é necessária. De que podemos depender dos outros, seja da União Europeia, seja dos americanos ou dos espanhóis. E até que seríamos mais bem governados se o fôssemos por outros.
A monarquia é o último reduto do patriotismo?
D. Duarte-O último não. O Partido Comunista também é muito patriótico.
O que há de comum entre as duas forças?
D. Duarte-Um certo idealismo próprio de quem adere a movimentos políticos que não dão compensações, que não dão emprego. Se um dia houver em Portugal um referendo e ganhar a causa monárquica, os movimentos monárquicos deixam de existir.
Quem está nos grandes partidos é sempre por interesse?
D. Duarte-Os partidos deveriam fazer um trabalho de formação doutrinária. Digo muitas vezes aos meus amigos do PS, por exemplo, que é fundamental debater a doutrina. Para que serve hoje em dia o socialismo?
Acredita no socialismo?
D. Duarte-Acredito no socialismo cooperativista, como era definido no século XIX, por Antero de Quental, ou António Sérgio.
Poderia ter aplicação hoje em dia?
D. Duarte-Podia. Veja um caso concreto. Qual é hoje o sector bancário que não está em crise? O crédito agrícola. Por ser cooperativista, mutualista. O Montepio é a mesma coisa, não teve crise. São mais abertos, têm muita gente a dar opinião, a acompanhar o que eles fazem. O Crédito Agrícola é propriedade de centenas de caixas agrícolas espalhadas pelo país. Eu sou o presidente da Assembleia-Geral da Caixa Agrícola de Nelas, e temos uma participação na caixa central. Representamos mais de um milhão de portugueses, mas não nos ligam nenhuma, a nível político.
O PS devia estar mais atento a essa realidade?
D. Duarte-Sim, porque o pensamento socialista original em Portugal era esse. Se o cooperativismo estivesse mais desenvolvido, vários factores beneficiariam muito.
Mas essas empresas podem ser competitivas?
D. Duarte-Na Holanda, na Áustria, na Suíça, na Alemanha, na Escandinávia, grandes organizações empresariais são cooperativas. O maior banco da Holanda é uma cooperativa. Em França, o maior banco é o Crédit Agricole. Mas estas empresas têm um inconveniente: não dão tachos a ex-ministros. Nem financiam campanhas eleitorais. Por isso não são muito simpáticas.
Noutros países, é reconhecida outra importância às famílias reais?
D. Duarte-Depende. Em repúblicas como a França tem pouca importância. Na Europa de Leste tem mais, talvez porque se lembrem de que o último período em que tiveram paz e democracia foi com um rei. Na Sérvia e no Montenegro, as famílias reais vivem nos palácios reais.
De que são proprietários?
D. Duarte-Foram nacionalizados e depois devolvidos à família.
Em Portugal não aconteceu assim.
D. Duarte-Em Portugal não devolveram nada. Vila Viçosa é o caso mais escandaloso, porque pertencia à família desde antes de 1640. Quando D. João IV foi aclamado Rei de Portugal, separou os bens da família dos bens do Estado. Os irmãos e filhos do rei sustentavam-se a partir dos bens da família. Só o rei e a rainha viviam do orçamento de Estado. O Palácio da Ajuda ou de Queluz pertencia aos bens da coroa. Vila Viçosa pertencia aos bens da família. A tomada de posse dessa propriedade pelo Estado, no tempo de Salazar, foi completamente abusiva.
Quando voltou do exílio, não recuperou nada?
D. Duarte-A Assembleia Nacional votou o fim da lei do exílio e nós voltámos a Portugal, mas o Estado não nos devolveu nada. Durante algum tempo, o meu pai viveu numa casa emprestada pela Fundação de Bragança. Em 1975 foi posto fora.
Acha que devia ter uma pensão do Estado?
D. Duarte-Não. Isso retirava-me a independência, para a minha acção política. Embora, quando faço missões pelo mundo fora, o faça em colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Que missões são essas?
D. Duarte-Neste momento, tenho um programa de desenvolvimento ambiental agrícola na Guiné-Bissau, outro em Angola, de introdução de novas técnicas de construção civil, outro em Timor. Estou a iniciar um projecto de ensino da língua portuguesa nos países que aderiram agora à lusofonia, como o Senegal, a Guiné Equatorial e as Ilhas Maurícias.
Como escolhe as missões?
D. Duarte-Quando vejo uma oportunidade que possa ser interessante, proponho ao MNE. São sempre no campo das relações externas, geralmente com países com que Portugal tem relações fracas, como foi o caso da Indonésia, durante algum tempo, ou são hoje os países árabes.Há uma grande confusão histórica quanto a isso. Os reis protestantes que quiseram tornar-se chefes das igrejas dos seus países criaram a ideia de que o poder real é de direito divino. A doutrina católica é diferente: todo o poder tem origem em Deus, mas chega-nos através do povo, não é arbitrário. O povo é que delega no rei o poder. É por isso que em Portugal o rei só era rei depois de aclamado pelas cortes.
É respeitado nos países árabes?
D. Duarte-Quando estou numa monarquia árabe sou descendente do profeta Maomé.
Porquê?
D. Duarte-A rainha Santa Isabel era descendente de um príncipe árabe que era descendente de Maomé. Por isso, a minha posição é completamente diferente da de qualquer embaixador da república portuguesa.
Isso é reconhecido em todo o mundo árabe?
D. Duarte-É. Mas quando estou em Israel digo que o D. Afonso Henriques era descendente do Rei David. Aliás, aconteceu uma coisa curiosa, nesta última viagem a Jerusalém: o chefe dos sefarditas contou-me que D. Pedro II do Brasil, bisavô da minha mãe, tinha visitado Israel e falava fluentemente o hebreu.
Esse respeito de que é objecto em todo o lado deve-se a pertencer a uma família aristocrática?
D. Duarte-Não. Não tem anda a ver com aristocracia. É por ser o chefe de uma Casa Real. O imperador do Japão, por exemplo, recebeu-me na biblioteca, coisa que só faz com a sua família.
Também é da família dele?
D. Duarte-Não. Mas aconteceu uma coisa engraçada. No fim, o imperador veio à porta despedir-se de mim, o que também só faz com parentes. O motorista do táxi viu e foi contar no hotel. Quando cheguei lá, tinha os directores à minha espera, pedindo-me licença para me instalarem numa suite especial, porque viram que o imperador me tinha tratado como família.É como se as famílias reais fossem todas uma grande família.Sim. É uma família espiritual.
Mas porque faz essas missões? Não tem obrigação nenhuma.
D. Duarte-Sinto que o facto de ter nascido nesta família me dá uma obrigação moral para com o meu povo.
Sente isso desde criança?
D. Duarte-Sim. Já o meu pai fazia o mesmo. O próprio D. Miguel, ou D. Manuel II, quando exilado, passou a vida a dedicar-se a Portugal. Foi visitar os soldados portugueses na frente de combate, conduziu, ele próprio, uma ambulância na I Guerra Mundial, em zonas perigosas.
Mas sente essa obrigação em relação a quem? Aos seus antepassados?
D. Duarte-Acho que é em relação a Deus. Se nasci numa determinada família, tenho perante Deus a obrigação…
O poder dos reis vem de Deus?
D. Duarte-Há uma grande confusão histórica quanto a isso. Os reis protestantes que quiseram tornar-se chefes das igrejas dos seus países criaram a ideia de que o poder real é de direito divino. A doutrina católica é diferente: todo o poder tem origem em Deus, mas chega-nos através do povo, não é arbitrário. O povo é que delega no rei o poder. É por isso que em Portugal o rei só era rei depois de aclamado pelas cortes.
No seu caso, não foi aclamado.
D. Duarte-Pois não. Mas considero que o chefe da Casa Real fora do seu cargo continua a ter as obrigações morais que teria se estivesse em funções.
Ser rei é a sua profissão?
D. Duarte-Tive várias oportunidades de trabalho, mas não aceitei, porque, na minha condição, não poderia ser empregado de ninguém.
Ofereceram-lhe empregos?
D. Duarte-Sim, propuseram-me cargos de administrador em bancos (ainda bem que não aceitei, os administradores não executivos não tinham muito a fazer). Não aceitei porque perderia a minha independência.
Ocuparia muito do seu tempo.
D. Duarte-Não foi por causa disso, porque os administradores dos bancos não fazem nada. Mas, na minha posição, se eu trabalhasse numa empresa, como assalariado, as minhas opiniões estariam condicionadas, não teria credibilidade.
Um assalariado não tem liberdade de expressão?
D. Duarte-Devia ter, mas nem sempre é possível.
Nunca lhe passou pela cabeça ter uma carreira profissional?
D. Duarte-Cheguei a pensar abrir um hotel na Guiné, ou em Timor. E estive para ficar na Força Aérea, em Angola, nos anos 70. Gostei muito. Poderia ter sido militar de carreira. Provavelmente teria sido saneado no 25 de Abril.
Ou poderia ter sido um capitão de Abril.
D. Duarte-Sim, mas daqueles que depois foram corridos pelos comunistas.
Porque não ficou então na Força Aérea?
D. Duarte-Achava errada a forma como as Forças Armadas estavam a ser conduzidas. Fui expulso de Angola em 1972, porque organizei uma lista de candidatos da oposição ao Parlamento português. Muitos dos meus apoiantes eram africanos negros. Se ganhássemos as eleições, teríamos um grupo de deputados na Assembleia Nacional que discordaria do Governo mas seria contra a independência.
Foi expulso por causa disso?
D. Duarte-Sim, porque o Governo de Marcelo Caetano estava a preparar um golpe de independência em Angola, apoiado pelos EUA e a África do Sul, para obter uma independência tipo Rodésia…
A sua lista poderia ter ganho?
D. Duarte-Sim. E o impacto internacional teria sido incrível, porque se veria que o verdadeiro movimento de oposição em Angola não são os guerrilheiros independentistas. Querem justiça, desenvolvimento, progresso. A independência, logo se veria. O MPLA e a UNITA achavam que Angola não estava ainda preparada para a independência. Precisavam de mais tempo.
Os movimentos de libertação teriam desistido da luta?
D. Duarte-Não. Mas tive apoios discretos deles. Se o nosso movimento tivesse tido êxito e a evolução política de Angola tivesse sido positiva, talvez se tivesse chegado a um acordo com esses movimentos. Tornar-se-iam partidos políticos, iriam a eleições…
E em Portugal não teria havido 25 de Abril.
D. Duarte-Exactamente. Não teria sido preciso.O Presidente representa sempre um partido, ou grupos de interesses. Só um rei está acima disso. Por isso nas monarquias há muito menos corrupção. Um rei não está pressionado. Não precisa.
Teria havido uma transição pacífica?
D. Duarte-Acho que sim. O próprio Marcelo Caetano poderia ter conduzido essa evolução.
Teria sido benéfico para Portugal?
D. Duarte-O pior que poderia ter acontecido a Portugal foi a revolução. As nacionalizações, as ocupações, a destruição do sistema bancário atrasaram a nossa economia pelo menos 10 anos. Nessa altura, estávamos mais avançados economicamente do que a Espanha. Depois passámos para trás.
A revolução não foi importante para mudar mentalidades?
D. Duarte-Nas mentalidades, a revolução trouxe a ideia de que todos temos direitos e não temos deveres.
Ainda não recuperámos disso?
D. Duarte-Temos milhares de pessoas a viverem do Estado sem fazerem nada, temos 25 por cento de pobres.
Antes da revolução já tínhamos.
D. Duarte-Em termos absolutos era pior. Mas passaram-se 30 anos. Em termos comparativos com o resto da Europa, estávamos melhor do que estamos hoje.
O atraso que temos é herdeiro do 25 de Abril?
D. Duarte-É sobretudo herdeiro de 1910. Se o rei D. Carlos não tivesse sido assassinado, não teria havido a revolução republicana. A nossa monarquia teria evoluído democraticamente como as outras. A revolução de 1910 atrasou Portugal muitos anos, e teve como consequência a revolução do Estado Novo de 1926.
É um ciclo de desgraças.
D. Duarte-Sim, de atrasos no desenvolvimento português. E agora, mais uma vez, se houver uma grave crise, ninguém acredita que a democracia a resolva. As pessoas vão dizer que querem um militar que tome conta de nós.Isso lembra o que Manuela Ferreira Leite disse recentemente.
A gravecrise pode, de facto, acontecer? Pode acabar com a democracia?
D. Duarte-A educação democrática em Portugal é muito fraca. As pessoas ainda não perceberam qual é o papel dos partidos e do Parlamento. Se houver uma crise grave, com fome, pilhagens, tudo isto vai por água abaixo. Basta que, por um acto terrorista, não recebamos petróleo, que por causa de greves, ou distúrbios, a importação de produtos alimentares seja suspensa. Somos completamente dependentes. Pode haver centenas de milhares de pessoas a manifestarem-se por uma intervenção totalitária dos militares, ou do Presidente.
Como é que o regime impede que se chegue a esse ponto?
D. Duarte-É preciso que a democracia seja participativa. Devia haver referendos, a sociedade civil deveria participar das decisões. As pessoas não deveriam apenas depositar o seu voto numa urna (este nome não augura nada de bom. Geralmente, o que está na urna são os mortos). As organizações ecologistas, por exemplo, deveriam ter milhares de colaboradores…
As monarquias são mais sensíveis à causa ecologista…
D. Duarte-Sim, porque defendem os valores permanentes
As próprias famílias reais são permanentes, no poder.
D. Duarte-As monarquias são mais ecológicas porque estão mais próximas da natureza humana, que é baseada na família.
As repúblicas são contranatura?
D. Duarte-São. As repúblicas são contranatura. Excepto aquelas repúblicas muito tradicionais, como a Suíça, ou os EUA, onde, de algum modo, elegem um rei.
O Presidente americano é um rei?
D. Duarte-Sim. Esteve mesmo para ser rei. E tem mais poder do que algum rei tem hoje em dia.
Hoje não é o poder que faz um rei.
D. Duarte-Não, mas é um rei dos antigos.
Em Portugal as pessoas também querem que o Presidente seja um rei?
D. Duarte-Querem. Ramalho Eanes, quando terminou o mandato, disse: tentei agir como um rei constitucional, porque é assim que os portugueses querem a chefia de Estado.
Estar acima dos partidos, representar o povo directamente, ser conciliador…
D. Duarte-Exactamente. Representar os valores permanentes
O Presidente em Portugal é um rei disfarçado? A verdadeira república deveria ser parlamentarista?
D. Duarte-Sim. Mas o Parlamento é que decidiu ter um chefe de Estado que fizesse aquilo que o rei fazia antigamente.Mas sempre que o Presidente faz alguma coisa, discute-se quais devem ser os seus poderes.
Quando Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia, chegou a dizer-se que o fez para justificar a existência de um Presidente.
D. Duarte-Fez aquilo de uma maneira completamente abusiva. Tinha uma maioria estável no Parlamento. Só o fez porque o seu partido tinha uma posição confortável nas sondagens. Nenhum rei teria dissolvido a Assembleia.
O Presidente tem ele próprio uma legitimidade eleitoral.
D. Duarte-Há um choque entre duas legitimidades. Essa é a razão da instabilidade das repúblicas. O Presidente representa sempre um partido, ou grupos de interesses. Só um rei está acima disso. Por isso nas monarquias há muito menos corrupção. Um rei não está pressionado. Não precisa.
Fonte :Jornal Público (Dezembro 1, 2008)- Jornal Público