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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A república incomoda... mas não demasiado.

A república incomoda... mas não demasiado.

Dom Duarte, Duque de Bragança e Manuel Alegre no lançamento do livro D. Duarte e a Democracia - Uma biografia portuguesa de Mendo Castro Henriques em 22/11/2006
"PORREIRO, PÁ!"



A república portuguesa completa 100 anos.

Não me incomoda demasiado a data. A república inteira acabou com uma meia república, uma monarquia envergonhada de o ser, que procurou nas modas estrangeiras casaca que lhe ficaria curta nas mangas. Para mais, de reles cheviote inglês, podre no forro, pelo qual se perdia toda a fazenda nacional.

Uma monarquia clientelista, encalacrada, corrupta pelo cancro liberal-maçónico que a haveria de matar não podia nem devia durar muito. Mas, como bom católico, nem neste caso apoio a eutanásia. A revolução é uma assassina cega, que mata todas as feições da realidade para impor uma ficção, uma fantasia. Crêem os revolucionários ter o poder de, ignorando a história, criar um mundo e um tempo melhores que os que os antecederam, só pelo simples facto de mudarem tudo.

Mudar não é sinónimo, por si só, de mudar para melhor.

Portugal era, em 4 de Outubro de 1910, um país pobre, endividado, sem auto-estima, sem carisma, sem mobilização. Com um sistema de ensino deficiente, subprodutivo, sangrado pela emigração e pela fuga de capitais. Um país injusto, com um diferencial de rendimentos entre a população ostensivo e ofensivo. Uma nação num pântano político, onde mergulhava uma classe política medíocre, nadando numa centralismo político à vista dos mais poderosos interesses e longe das preocupações das populações...

ESTÁ PORTUGAL ASSIM TÃO DIFERENTE EM 4 DE OUTUBRO DE 2010????  

Está pior: em 1910, ao contrário dos políticos que nos governavam, os portugueses ainda tínhamos fé para nos sustentar na esperança de dias melhores e caridade para nos apoiar uns aos outros enquanto esses dias não chegavam. Éramos cristãos porque éramos portugueses e éramos mais portugueses quanto mais piedosos cristãos...

Já não somos nem cristãos nem portugueses. Graças à revolução. À de 1910 mas também à de 1820 e de 1974. Foi só mais uma.



O 5 de Outubro incomoda-me... mas não demasiado.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O 26 de Abril

O 26 de Abril



Não que festeje o 25 de Abril. Mas também não o choro.

A não ser que se cheguem perto de mim com cravos ao peito: aí a minha rinite alérgica não perdoa, os espirros sucedem-se e as lágrimas caem-me quatro a quatro. Passo facilmente por um copioso saudosista do salazarismo, para mais daqueles das saudades impossíveis, porque não viveram aquele tempo.

Para mim todas as revoluções são dos cravos. Todas me causam alergia. Mesmo aquelas que são na verdade de outras flores, de outras cores. A revolução, mesmo sem derramamento de sangue, tem uma natureza agressiva e uma força destruidora cega e descontrolada. Tudo o que revolução deixa para trás torna-se mau, ainda que o não fosse, e deve ser destruído.

Foi assim com o 25 de Abril; mas também foi assim com o 28 de Maio, com o 5 de Outubro, com o 24 de Agosto (de 1820 para os mais descontextualizados). E, em última análise, tudo começou com o 14 de Julho em França...

Uma revolução, uma data. Uma data que vai fazendo necessárias outras datas depois dela, destruição que exige a sua própria destruição. Porque tudo o que se constrói sobre chão remexido, sem assentar em rocha-mãe, fica mal feito, frágil e inseguro. Sujeita-se a ser descartado por ditames de moda, das falsas e frágeis certezas de cada momento.

Muito pior que destruir é construir mal, construir a prazo para um fim quase certo e determinado. Destruir dura um momento; construir dura muito tempo, suor e sacrifícios.

Já que estamos por datas, não choro o 25 de Abril; choro o 26. E todos os dias depois desse...